Mercado automóvel acelera em Portugal enquanto Mercedes-Benz enfrenta crise global com modelo elétrico

Os portugueses andam claramente a comprar mais carros. Os dados mais recentes da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) confirmam uma subida expressiva de 13,8% no mercado nacional durante o mês de setembro de 2025, face ao período homólogo do ano anterior. Trata-se de uma consolidação evidente da tendência de crescimento que já se vinha a desenhar desde o passado mês de agosto.

Olhando para os números absolutos destes primeiros nove meses de 2025, a Peugeot mantém-se firme na liderança, acumulando 17.342 unidades entregues aos clientes. O segundo lugar é ocupado pela Mercedes-Benz, com 13.570 viaturas comercializadas, seguida de perto pela Dacia, que regista 13.222 automóveis vendidos até ao final de setembro.

O balanço detalhado de setembro

Analisando apenas o desempenho mensal das marcas, o top três mantém uma estrutura forte. A marca francesa liderou as tabelas de setembro com 1.597 matrículas, refletindo um aumento de 6,8%. Logo atrás surge a fabricante alemã Mercedes-Benz com 1.397 unidades e uma ligeira subida de 2,9%, fechando o pódio com a Dacia e os seus 1.350 carros vendidos (um crescimento de 5,8%).

O resto da tabela mostra um dinamismo interessante. A Tesla parece estar a recuperar fôlego no nosso país, crescendo 17,5% para garantir 1.204 unidades. A lista prossegue com a Renault (1.101 unidades, +10,9%), a BMW (1.197 unidades, +10,2%) e a Volkswagen (841 unidades, +1,6%). Mais abaixo no ranking, a Nissan e a Toyota empatam no volume com 609 viaturas cada, mas com realidades opostas. A marca nipónica Nissan subiu 18,5%, enquanto a Toyota foi a única fabricante do top 10 a derrapar, registando uma queda de 2,4% nas vendas.

O grande salto percentual do mês pertenceu à Citroën. Com 585 viaturas comercializadas, a marca disparou uns impressionantes 58,5%, superando largamente a média de crescimento de todo o mercado nacional. Fora deste grupo de elite ficou a BYD, num cenário que se pode considerar no mínimo ingrato. A fabricante chinesa vendeu 537 automóveis, traduzindo um salto de 52,1%, mas falhou a entrada no top 10 por uma margem curtíssima de apenas 44 unidades.

Alerta máximo para o Mercedes-Benz EQB

Se o cenário comercial em território português é de estabilidade e sucesso para a Mercedes-Benz, a realidade internacional traz dores de cabeça consideráveis à marca. A fabricante acaba de emitir uma ordem de recolha massiva para 12.236 unidades do seu SUV elétrico EQB devido a um risco grave de incêndio. O problema afeta de forma direta veículos referentes aos anos de produção de 2022, 2023 e 2024.

Tudo tem origem numa falha do sistema de baterias de alta tensão. Segundo a documentação submetida à entidade reguladora norte-americana (NHTSA), uma combinação específica de fatores de produção e de condições de utilização pode desencadear um curto-circuito interno numa das células da bateria. O caso ganha contornos sensíveis porque as variações no processo de fabrico do fornecedor ditaram que as células das primeiras unidades fossem bastante menos robustas do que as versões posteriores. Isto deixa os componentes muito mais vulneráveis a danos externos, especialmente quando a bateria apresenta um estado de carga elevado.

A solução drástica e os riscos imprevistos

A estimativa oficial aponta que a totalidade dos 12.236 carros apresenta este defeito e não parece haver outra alternativa senão a substituição integral das baterias de alta tensão por versões mais resistentes. O dossiê indica ainda que os modelos EQB que não foram incluídos nesta ordem de recolha já vêm equipados de fábrica com as baterias mais seguras.

Esta ação surge no seguimento de uma recolha voluntária que a própria Mercedes levou a cabo em outubro de 2025. Na altura, tentou-se resolver o problema através de uma atualização de software, mas uma investigação interna aprofundada revelou que a medida era insuficiente para mitigar o perigo. A marca tem conhecimento de pelo menos dois relatos de veículos EQB que se incendiaram nos Estados Unidos, ambos associados ao lote original e ocorridos antes da aplicação da referida correção informática inicial.

Precauções urgentes para os condutores

O aspeto mais crítico desta falha prende-se com a total ausência de aviso prévio para os proprietários antes de um evento térmico espontâneo. Caso o curto-circuito aconteça com o veículo em andamento, o sistema deverá apresentar uma mensagem de alerta no painel de instrumentos. No entanto, o carro pode incendiar-se enquanto está simplesmente estacionado.

As recomendações são, por isso, bastante rígidas. Os condutores devem estacionar os seus veículos estritamente ao ar livre e longe de quaisquer estruturas ou de outros automóveis. É-lhes também pedido que limitem o carregamento da bateria a um máximo de 80% até que tenham um sistema novo instalado. A Mercedes-Benz já acionou a sua rede de concessionários, estando o envio das primeiras cartas de notificação aos clientes agendado para o dia 27 de fevereiro de 2026. Uma segunda ronda de correspondência, com as instruções definitivas de reparação, deverá chegar às caixas de correio no início de abril.