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16 Janeiro 2019
Destaques WRC

Nada pára Ogier, pentacampeão do WRC em época equilibrada e de mudanças

Sébastien Ogier tornou-se este domingo pentacampeão mundial de ralis, sendo o segundo da história a conseguir mais do que quatro títulos no WRC, todos de forma consecutiva. O francês da M-Sport está agora no segundo lugar de pilotos com mais títulos, apenas atrás do compatriota Sébastien Loeb. Continua desta forma o domínio de França no campeonato, uma vez que Loeb e Ogier têm entre si todos os títulos desde 2004 – já lá vão 14 anos consecutivos!

Após a saída da Volkswagen do WRC, Ogier encontrou na M-Sport uma nova ‘casa’ para esta temporada, correndo pela primeira vez na sua carreira na categoria principal fora de uma equipa de fábrica ou com apoio de fábrica. Um novo desafio para o agora pentacampeão mundial que era repleto de incógnitas e de mudanças.

A formação de Malcolm Wilson já não ganhava qualquer rali desde 2012 nem esteve verdadeiramente em posição de lutar por campeonatos desde que deixou de ter o apoio de construtor da Ford. Mais pontos de interrogação se colocavam na performance relativa de cada carro neste ano de estreia da nova geração de World Rally Cars.

Sem a Volkswagen, o WRC teve pela primeira vez em alguns anos uma temporada sem uma força claramente dominante, com maior diversidade de equipas e pilotos a ganharem – sete pilotos diferentes triunfaram, de todos os quatro construtores representados, inclusivamente da recém-chegada Toyota.

Desta forma, ao contrário do que tinha acontecido nos quatro anos anteriores, Ogier esteve longe de ter uma clara supremacia, mesmo conquistando o ceptro a uma ronda do fim. Até ao momento só ganhou duas vezes – é preciso recuar até 2010 para encontrar uma temporada tão pouco vitoriosa para o gaulês, exceptuando claro 2012, em que competiu ao volante de um S2000…. Já para não falar do facto de, entre o anúncio surpreendente da saída da Volkswagen e o começo da época de 2017, Ogier e a M-Sport terem pouco mais de dois meses para fecharem vínculo e terem tudo preparado.

No entanto, fez valer toda a sua experiência e valia ao ser, de longe, o mais consistente. Os números falam por si: só falhou três pódios (um deles por abandono) e só falhou os pontos em duas Power Stage (Monte Carlo e Finlândia). Contou também com o bom trabalho efectuado pela M-Sport no Ford Fiesta WRC, que se mostrou um carro fiável e equilibrado permitindo à equipa ter pelo menos um piloto no pódio em todas as rondas.

A principal oposição veio da Hyundai e de Thierry Neuville. O belga da Hyundai esteve sempre muito próximo da frente e chegou mesmo a liderar após o Rali da Finlândia. Contudo, ao não ter pontuado na Alemanha e em Espanha ficou praticamente arredado das hipóteses de impedir Ogier de celebrar o quinto título. Ott Tänak, da M-Sport, perfilou-se igualmente como ameaça para o gaulês nesta ponta final de temporada, mas a recuperação do estónio já veio tarde. Jari-Matti Latvala, que segue em quarto, chegou a liderar o WRC após a Suécia, mas a juventude do projecto da Toyota fez-se naturalmente sentir e uma série de quatro ralis consecutivos sem entrar no pódio deixou o finlandês definitivamente atrasado.

Olhando-se para a classificação final, a época de 2017 do WRC e o quinto título de Ogier podem parecer ‘mais do mesmo’ para o piloto. No entanto, foi, quiçá, o título com mais forte oposição externa dos cinco que o piloto alcançou. Por um lado é certo que terá a sua pior pontuação após a ‘era Loeb’ aconteça o que acontecer na Austrália, e por outro pode considerar-se que foi a primeira vez desde 2013 que teve um claro rival fora da sua própria equipa.

Além disso, no que toca ao campeonato como um todo, foi uma das épocas do WRC com mais incerteza e emoção, incluindo uma das margens de vitória mais curtas da história quando Thierry Neuville derrotou Elfyn Evans por sete décimas na Argentina. De referir ainda que desde 2002 não havia tal diversidade de vencedores de ralis numa só temporada – depois do triunfo de hoje de Evans já são sete os pilotos a ganharem em 2017, tantos como nessa longínqua época.

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