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16 Janeiro 2019
Formula 1

Morreu Jean-Pierre Van Rossem

Jean-Pierre Van Rossem, o controverso financeiro que foi o patrocinador da Onyx em 1989, morreu hoje em Bruges, aos 73 anos de idade. A causa foi um cancro no pulmão, do qual ele tinha anunciado na sua conta do Facebook no inicio desta semana. O belga foi também deputado e ficou famoso por ter inventado um alegado sistema de multiplicação (leia-se, esquema piramidal) do qual batizou de “Moneytron”.

Nascido a 29 de maio de 1945 em Bruxelas, Van Rossem era licenciado em economia na universidade de Ghent e fez uma pós-graduação na Universidade de Pensilvânia, sob a orientação de Lawrence Klein, futuro Nobel da Ecomomia. Com o tempo, também leu as teorias económicas de Karl Marx, e chegou à conclusão que, provavelmente, não seria uma má ideia se implodisse o sistema financeiro por dentro.

Nos anos 80, decidiu elaborar um plano ao qual chamou de “Moneytron”. Basicamente, era um supercomputador onde fazia cálculos algorítmicos, onde aparentemente poderia prever ciclos económicos, de quando a economia estaria em alta ou em baixa. Van Rossem gabava-se que esse supercomputador daria retornos infinitos, gerando riqueza para toda a gente. Contudo, quando ele proibia o acesso a esse supercomputador a todo e qualquer curioso. Com isso, começava-se a desconfiar da infalibilidade da operação.

Contudo, com a Moneytron, Van Rossem conseguiu amealhar uma fortuna que chegou quase aos mil milhões de euros, valores de hoje. E no final de 1988, um dos que procurou multiplicar os seus ganhos era um belga chamado Bertrand Gachot, que pretendia dinheiro para entrar na Formula 1 através de uma equipa nova, a Onyx. Duplicou os seus ganhos – passou de perto de três milhões para seis milhões – e curioso, foi ver essa nova equipa. Pouco depois, patrocinou-a, conseguiu o capital maioritário e ficou hipnotizado com as luzes da ribalta da categoria máxima do automobilismo.

A Onyx tinha sido fundada em 1979 por Mike Earle e Greg Field, e no final de 1988, quando entraram na aventura da Formula 1, tinha Paul Shakespeare como acionista maioritário. Tinham decidido entrar na Formula 1, depois de alguns anos na Formula 2 e Formula 3000, e contrataram Alan Jenkins para fazer um chassis simples, mas funcional, com motores Ford V8 de 3,5 litros, preparados pela Cosworth. Van Rossem comprara as ações de Shakespeare para ser o centro das atenções e mandar na equipa, que tinha como pilotos Gachot e o sueco Stefan Johansson. O primeiro ano foi formidável, com seis pontos e um terceiro lugar para o veterano sueco no GP de Portugal, no Estoril.

Contudo, Van Rossem, que queria, entre outros, um motor Porsche V12 para a equipa, estava em sarilhos. A bolha da Moneytron tinha explodido e as autoridades belgas estavam a investigá-lo por fraude. Ele, que tinha um jato Gulfstream e mais de uma centena de Ferraris, decidiu livrar-se da equipa para pagar as dívidas que existia. No ano seguinte, fundou um partido, o ROSSEM, de cariz populista e de protesto, mas o seu propósito era de evitar ser preso. Isso não o impediu de ser condenado a cinco anos de prisão por fraude, que cumpriu depois de ver esgotados todos os seus recursos, e quando terminou o seu mandato, em 1995.

Quanto à Onyx, acabou em agosto de 1990, depois de ter sido comprado pelo suíço Peter Montverdi e ser guiado por pilotos como o finlandês J. J. Letho e o suíço Gregor Foitek.

Nos anos que se seguiram, depois de ter cumprido a pena de prisão, escreveu livros, participou em programas de televisão como figura pública, na Bélgica e Holanda.

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