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Formula 1

HISTÓRIA: O GP da Europa de 1993

Dias semanas depois de terem corrido no Brasil, o pelotão da Formula 1 estava em paragens britânicas para o GP da Europa. Em pleno domingo de Páscoa, a Formula 1 chegava à Europa, num circuito novo em termos de calendário, mas veterano em termos de história, pois tinha sido palco do GP de Inglaterra em 1937 e 38, altura em que os “Flechas de Prata” dominavam o panorama automobilístico europeu. Mas 55 anos mais tarde, era a Formula 1 moderna que chegava a esse circuito, propriedade de Tom Wheatcroft, um empreendedor que tinha salvo o circuito do abandono e o tinha tornado numa pista usada por todos os tipos de categorias automobilísticas, excepto uma: a Formula 1.

E era no Midlands britânico que a Formula 1 estava naquele dia. Mas ao longo do fim de semana, a chuva e o nevoeiro estava mais do que presente. Era um tremendo choque, depois das passagens de verão em terras sul-africanas e brasileiras. A Williams era a maquina a bater, com Alain Prost ao volante. Mas a maquina tinha um defeito: em condições de chuva, era vulnerável, e o seu maior rival, Ayrton Senna, guiando uma máquina inferior, poderia usar todo o seu talento para bater os Williams em condições excepcionais. Foi isso que tinha acontecido em Interlagos, na corrida anterior.

Nos treinos, Prost e o seu companheiro Damon Hill monopolizaram a primeira fila da grelha de partida. Na segunda fila, Ayrton Senna tinha sido batido pela jovem promessa Michael Schumacher, no seu Benetton-Ford. Pelo menos, nesta batalha, o alemão tinha levado a melhor… na terceira fila, Karl Wendlinger dava à Sauber o seu melhor resultado até então, tendo a seu lado o americano Michael Andretti. O primeiro Ferrari só aparecia na oitava posição, graças a Gerhard Berger, atrás do segundo Sauber de J.J. Letho. E a fechar o “top ten” estava o segundo Ferrari de Jean Alesi e o segundo Benetton de Riccardo Patrese.

O novato Rubens Barrichello, na sua Jordan, era 12º na grelha, numa corrida onde recebia um novo companheiro de equipa: o veterano belga Thierry Boutsen, que era apenas o 19º.

O dia de Domingo amanheceu com chuva, muito frio e agum nevoeiro. Nâo eram as condições propícias para uma boa corrida. Contudo, tudo estava pronto para uma das mais memoráveis prestações da história da Formula 1. No momento da partida, Prost e Hill foram para a frente, enquanto que Senna foi bloqueado por Schumacher e Wendlinger assumiu a terceira posição. Quando o alemão o bloqueia, ele vai simplesmente para o outro lado, e ultrapassa-o. Nas rápidas curvas a seguir, evita por pouco Wendlinger, que o ultrapassa por fora. Já tinha ganho duas posições em pouco mais de 200 metros…

Logo a seguir, ataca Damon Hill, e consegue ultrapassá-lo na travagem, passando para segundo, e em poucos metros, vai para cima de Alain Prost, o líder! Fica colado a ele, e no “hairpin”, a curva mais lenta do circuito, consegue, à vista de todos, ultrapassar o Williams do francês. Tinha-se assistido a uma das melhores prestações de um piloto numa única volta. Do quinto ao primeiro lugar, à chuva. Só ao alcance dos eleitos.

Entretanto, mais atrás, outros dramas aconteciam. Michael Andretti tentava ultrapassar o Sauber de Wendlinger para o quarto posto, mas ambos se desentenderam a acabavam na gravilha. E Rubens Barrichello fazia o mesmo que Senna: de 12º na partida, era agora o quarto colocado!

As voltas continuavam e o tempo estava instável. Ora chovia, ora parava e a pista começava a secar. Quando foi a vez de colocar pneus secos, a habilidade de Senna na chuva fez com que tivesse uma larga vantagem. E as habilidades de Senna eram compensadas com a falta de oportunidade da Williams: quando foi a vez de Prost meter pneus secos… começou a chover!

Assim sendo, Senna joga inteligentemente, ao ficar mais tempo com pneus “slicks”, sabendo que se a sorte o acompanhasse, poderia continuar no comando. Somente perdeu-o quando foi às boxes trocar de pneus, e isso só aconteceu por quatro vezes, contra as sete (!) que o francês teve que fazer.

Na volta 57, Senna fez algo inédito: foi às boxes, não parou no pitlane, e à velocidade máxima que poderia fazer, efectuou a volta mais rápida do circuito. Confusos? Ora, o brasileiro tinha acabado de provar que a entrada das boxes, que acontecia antes da ultima curva, era 200 metros mais curta que o perímetro da pista. Dessa maneira, tinha feito 1.18,029, contra os 1.20,413 que tinha feito usando a pista toda.

Entretanto, Barrichello fazia a sua corrida de sonho. Bantendo sem apelo nem agravo o seu novo companheiro de equipa, o belga Thierry Boutsen, andou por muitas vezes na segunda posição, mesmo á frente dos Williams. Contudo, tudo acabou na volta 71, quando uma avaria na bomba de gasolina o obrigou a desistir, quando rodava no terceiro lugar.

No final da corrida, todos aplaudiam a performance de Senna, tão boa como a sua primeira vitória, no Estoril. A sua segunda vitória do ano batia sem apelo nem agravo um Prost, que foi sempre um mau piloto à chuva, e fazia com que o brasileiro passasse para o comando do campeonato, com 26 pontos, contra os 14 do francês. Inacreditável, mas real! Nos restantes lugares pontuáveis, ficaram o Lotus de Johnny Herbert, o Benetton de Riccardo Patrese e o Minardi de Fabrizio Barbazza.

HISTÓRIA: O GP da Europa de 1993
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