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Formula 1

HISTÓRIA: O GP da Argentina de 1973

A Formula 1 vivia novos tempos. A exposição deste desporto a uma coisa como a televisão, logo, com maior atração em termos comerciais, bem como a uma era de expansão tal, em termos de calendário, com corridas na América do Sul, e de equipas, bem como pilotos, começava a parecer que o seu controlo era algo que tinha de ser considerado. Uma organização para defender os interesses dos construtores, a FOCA, tinha aparecido durante o inverno europeu, comandado por pessoas como Colin Chapman, o dono da Lotus, Ken Tyrrell, o dono da equipa com o mesmo nome e o novo proprietário da Brabham, um jovem britânico de 42 anos chamado… Bernie Ecclestone.

A grande novidade no inverno europeu tinha sido a transferência do sueco Ronnie Peterson da March para a Lotus, para secundar Emerson Fittipaldi. Apesar do brasileiro ser campeão do mundo, Chapman achava que ele precisava de concorrência interna para melhorar as perspectivas de vencer os dois campeonatos, o de Construtores e o de Pilotos, e ter também uma dupla tão boa como a da Tyrrell, que mantinha o escocês Jackie Stewart e o francês Francois Cevért.

A McLaren também mantinha a mesma dupla, constituída pelo americano Peter Revson e pelo neozelandês Dennis Hulme, mas iria ter um terceiro carro para eventos seleccionados e seria entregue a um jovem promissor vindo da África do Sul: Jody Scheckter. Na Ferrari, Clay Regazzoni tinha partido para a BRM – a troco de um contrato milionário, dizia-se – mas mantinha o belga Jacky Ickx e tentava prolongar a carreira do “velho” 312 B2, enquanto se esperava pelo novo chassis, quando a Formula 1 chegasse à temporada europeia, lá para abril. No lugar de Regazzoni, Enzo Ferrari tinha dado uma chance para o jovem italiano Arturo Merzário.

A BRM tinha aprendido algumas lições dos eventos do ano passado e passou a ser mais selectiva. Contratou Regazzoni e manteve o francês Jean-Pierre Beltoise, dando um terceiro carro a um jovem austríaco de seu nome Niki Lauda, que apesar de ter pago para correr – falava-se de um empréstimo… – mostrava algum talento para afinar carros, algo que tinha demonstrado no seu tempo na March.

A Brabham tinha dispensado o veterano Graham Hill (com este a decidir criar a sua própria equipa, mas só iria aparecer a partir da primavera, em Espanha) enquanto que mantinha os outros dois pilotos, o argentino Carlos Reutemann e o brasileiro Wilson Fittipaldi, irmão de Emerson. Já a March tinha reduzido as suas operações a um carro, preferindo construir chassis para quem quisesse comprar um. O piloto escolhido tinha sido o jovem, mas veloz, francês Jean-Pierre Jarier. Quanto a clientes, um deles iria ser o britânico Mike Beuttler, que iria correr na maior parte da temporada, incluindo na Argentina, assim como um jovem britânico chamado James Hunt, com um chassis comprado por Alexander Hesketh, um jovem – e excêntrico – aristocrata britânico.

John Surtees, agora a trabalhar a tempo inteiro como chefe de equipa, decidira inscrever na nova temporada dois carros para a temporada, entregando-os ao brasileiro José Carlos Pace e ao britânico Mike Hailwood, com a possibilidade de um terceiro carro em algumas provas.

O pelotão da Formula 1 já sabia da retirada da Matra, que largava a Formula 1 para se concentrar na Endurance, onde estavam a ter sucesso, principalmente em Le Mans. Mas por essa altura que haveria uma nova equipa, de origem americana e que se chamaria de Shadow. Criada por Don Nichols – do qual se suspirava que tivesse pertencido à CIA – tinha reputação na Can-Am com algum sucesso e decidira expandir para a Formula 1, com o apoio da petrolífera UOP. Quanto a pilotos, iria trazer a habitual dupla da Cam-Am, o britânico Jackie Oliver e o veterano americano George Follmer. Mas não iriam aparecer nas corridas sul-americanas, decidindo que iriam estrear-se em março, em Kyalami. Outra equipa que iria aparecer durante a temporada, mas não na Argentina, seria a Tecno, que contratara os serviços do veterano neozelandês Chris Amon, sem volante após a retirada da Matra da Formula 1.

Para finalizar, havia a Iso-Marlboro. Basicamente era a segunda tentativa de Frank Williams de construir o seu próprio chassis, com a ajuda da construtora italiana Iso-Rivolta e do patrocínio da tabaqueira Marlboro. Williams trazia para Buenos Aires dois carros, um para o italiano Nanni Galli e outro para o neozelandês Hownden Ganley.

As coisas na Argentina andavam complicadas em termos políticos, e chegou-se a avançar com o cancelamento da corrida, mais tarde reinstaurada. Mas as indecisões foram mais do que suficientes para afastar algumas equipas da corrida inicial da temporada. No final compareceram apenas 19 carros em Buenos Aires.

Na qualificação, o melhor foi de modo surpreendente, o BRM de Clay Regazzoni, que foi melhor do que o Lotus de Emerson Fittipaldi. Jacky Ickx era o terceiro no seu Ferrari, seguido pelo Tyrrell e Jackie Stewart e o segundo Lotus de Ronnie Peterson. Francois Cevért era o sexto no segundo Tyrrell, seguido pelo segundo BRM de Jean-Pierre Beltoise, o McLaren-Ford de Dennis Hulme, o Brabham de Carlos Reutemann e o Surtees de Mike Hailwood.

A corrida começa com Cevért a fazer uma partida-canhão e a chegar ao primeiro posto, conseguindo ser melhor do que Fittipaldi e Regazzoni. Este reagiu, atacou o francês e conseguiu ultrapassá-lo na curva seguinte. As coisas manter-se-iam assim nas voltas seguintes, enquanto que Galli era a primeira retirada do ano quando o seu motor explodiu, ainda ele nem tinha dado uma volta.

Regazzoni e Cevért continuaram a duelar pela liderança nas voltas seguintes, observados por Stewart, Fittipaldi e depois Peterson. O francês esperou pela oportunidade certa para apanhar o piloto da BRM e este aconteceu à 29ª volta, quando o suíço já tinha os seus pneus totalmente desgastados. Nas voltas seguintes, Regazzoni foi ultrapassado pelos seus concorrentes: na volta 32, Stewart ficou com o segundo lugar, e os dois Lotus passaram-no nas voltas 33 e 34, respectivamente, e o suíço continuou a arrastar-se até ao fim da corrida. Iria acabar com três voltas de atraso e fora dos pontos, no sétimo posto.

Os quatro primeiros mantiveram-se assim até à 66ª volta, sem alterações no comando e perto uns dos outros. Nessa altura, Peterson começou a ter problemas de motor e acabou por ir às boxes, abandonando a corrida. Pouco depois, Stewart teve problemas com um pneu e na volta 76, Emerson Fittipaldi conseguiu ultrapassar Stewart, ficando com o segundo lugar.

E nas voltas finais, Fittipaldi partiu para a liderança. Pressionou o Tyrrell de Cevért o mais que pode, procurando por uma ultrapassagem e na volta 86, foi capaz de passar o piloto francês, rumo à vitória. O piloto da Lotus foi o melhor, conseguindo bater os Tyrrell, com Cevért em segundo e Stewart em terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Ferrari de Jacky Ickx, o McLaren de Dennis Hulme e o Brabham de Wilson Fittipaldi.

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