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22 Fevereiro 2019
História

HISTÓRIA: Walter Röhrl, 70 anos

Hoje comemoramos o aniversário de um dos melhores pilotos que a Alemanha já teve, antes de Michael Schumacher. Walter Rohrl foi um piloto multifacetado, com uma carreira essencialmente feita nos ralis, mas também com passagens pela pista. Sobre ele, Niki Lauda disse um dia que era “um génio sobre rodas”. Vencedor de 14 ralis no campeonato do mundo, dois títulos mundiais em 1980 e 1982, chegou a ser eleito pelos italianos como “o melhor piloto de ralis do século”.

O MOTORISTA DO BISPO… QUE NÃO FOI

Rohrl nasceu a 7 de março de 1947 em Regensburg, no sul da Alemanha. Aos 16 anos, depois de completar a sua educação, começou a trabalhar como motorista de uma firma que representava o bispado local, fazendo cerca de 120 mil quilómetros por ano. Nos tempos livres, esquiava, o que o qualificou como instrutor de ski. Contudo, chegou-se a falar de que ele tinha sido o motorista do próprio bispo, o que ele próprio diz que não é verdade.

Em 1968, Rohrl é convidado para participar num rali local, que aceitou. Aos poucos, entrou em mais ralis, e descobriu que tinha o talento suficiente para se ombrear com os melhores da altura. Entrou no primeiro rali do Mundial em 1973, com um Opel Commodore, em Monte Carlo, onde terminou num discreto 45º posto. Iria vencê-lo por quatro vezes, sempre por marcas diferentes.

Campeão da Europa de ralis em 1974, a sua primeira vitória no Mundial aconteceu em 1975, no Rali da Grécia, ao volante de um Opel Ascona, mas só voltou a vencer três anos depois, já a bordo de um Fiat 131 Abarth, nos ralis da Grécia e no canadiano Criterium du Quebec. Acabaria essa temporada no sexto lugar, com 13 pontos.

O PRIMEIRO CAMPEÃO ALEMÃO

Em 1980, Rohrl alinhava na Fiat ao lado do finlandês Markku Alen, nos 131 Abarth que começavam a acusar o peso dos anos, apesar de manter a sua competividade. Venceu em Monte Carlo, e depois voltou a triunfar no Rali de Portugal. A meio do ano, triunfou na edição inaugural do Rali da Argentina, e pelo meio, foi segundo classificado na Córsega e Nova Zelândia, bem como nova vitória no Rali de Sanremo. No final do ano, com 118 pontos, tornava-se campeão, e com quase o dobro de pontos sobre o segundo classificado, Hannu Mikkola.

Em 1981, Rohrl tinha saído da Fiat e dedicou-se às pistas, tendo participado nas 24 Horas de Le Mans ao lado de Jurgen Barth. Foram sétimos classificados e venceram na classe GTP. Só fez um rali, o de Sanremo, a bordo de um Porsche 911, mas não terminou a prova.

BICAMPEONATO… CONTRA UMA MULHER

No ano seguinte, Rohrl vai para a Opel, num modelo Ascona 400, num ano em que foram introduzidos os carros de Grupo B. Para além disso, tinha a rivalidade da Audi, que em 1981 tinha introduzido o seu modelo Quattro, de tração integral, contra um carro de tração traseira que era o seu Ascona.

Rohrl ganhou a primeira prova do ano, em Monte Carlo (iria ganhar de forma consecutiva até 1984), e foi mais regular ao longo da temporada, embora tivesse como maior rival uma mulher, Michele Mouton. A francesa, a bordo de um dos Quattro, venceu em Portugal (Rohrl desistiu), Grécia (o alemão foi segundo) e Brasil (de novo no segundo posto), e o título acabou por ser discutido no rali da Costa do Marfim, onde nas difíceis estradas daquele país africano, Rohrl sobreviveu, enquanto que Mouton teve problemas com o seu radiador, que a forçaram a desistir. O alemão ganhou e garantiu o seu bicampeonato, admitindo que teve mais sabor “porque ganhou a uma mulher”.

Contudo, isso foi sol de pouca dura: no final do ano, foi despedido da equipa por causa de divergências com o seu diretor, Tony Fall. As razões eram várias: odiava guiar no Rally RAC (ele também detestava guiar nas velozes classificativas do Rali da Finlândia) e para além disso, recusava fazer publicidade para o seu patrocinador, a companhia de tabaco Rothmans, alegando que não era um ator, mas sim um piloto de ralis…

LANCIA E AUDI

Em 1983, a Lancia contratou-o, num ano em que estreava o seu modelo 037, e começou bem, vencendo em Monte Carlo. Voltaria a ganhar na Grécia e na Nova Zelândia, mostrando uma boa consistência, mas o insuficiente para revalidar o título mundial. Dois segundos lugares de Hannu Mikkola nos dois últimos ralis dessa temporada foram mais do que suficientes para que ele fosse campeão.

No ano seguinte, Rohrl passou para a Audi, guiando por fim o Quattro. Venceu logo em Monte Carlo, mas foi a sua única vitória do ano. Voltaria a vencer em 1985, no Rali de Sanremo, mas os seus melhores dias já tinham passado. Dois pódios em Monte Carlo e no Quénia, em 1987, foram os seus últimos resultados de relevo no Mundial de ralis, agora com o modelo 200.

Nesse ano, Rohrl foi para Pikes Peak com o modelo Sport Quattro, conseguindo um tempo abaixo dos onze minutos, um recorde na altura em que parte da estrada ainda era de gravilha.

A partir de 1988, dedicou-se às pistas, correndo na Trans-Am americana, onde venceu duas corridas, e teve participações nas 24 horas de Le Mans e de Nurburging. Hoje em dia, para além de ser embaixador da Porsche, faz testes com os modelos de estrada, entre eles o Carrera GT.

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