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22 Fevereiro 2019
História

HISTÓRIA: Tom Pryce, 40 anos depois (parte 1)

Quem sabe de automobilismo, conhece a história de três pilotos britânicos nos anos 70 do qual nunca tiveram tempo de demonstrar todo o seu potencial devido aos seus acidentes fatais. Talentosos, chegaram à Formula 1 e demonstraram potencialidades acima da média em equipas modestas, do qual lhes faltavam fazer o salto para equipas mais competitivas, onde poderiam ter tido chances de lutarem por títulos mundiais. Roger Williamson, Tony Brise e Tom Pryce eram pilotos que tinham sido vencedores nas formulas de acesso, mas infelizmente, tiveram carreiras tragicamente curtas. Desses três, Pryce foi o que teve mais tempo, fazendo quatro temporadas antes da sua morte, num acidente no GP da África do Sul de 1977. Quarenta anos após a sua morte, falo sobre o único piloto do País de Gales que esteve na categoria máxima do automobilismo.

Thomas Maldwyn Pryce nasceu a 11 de junho de 1949 na cidade galesa de Ruthin. Filho de um policia e de uma enfermeira, teve um irmão, David, que morreu aos três anos de idade. Aos dez, ele aprendeu a guiar numa carrinha de entregas, e cedo descobriu que queria ser piloto. O seu herói era Jim Clark, e ficou perturbado quando ele morreu, em 1968. Por essa altura, tinha deixado a escola e aprendera o oficio de mecânico de tratores, caso a sua carreira de piloto não desse em nada. Começou a correr em 1969 nos “club races”, ajudado pelo ex-piloto Trevor Taylor, que tinha sido colega de Clark na Lotus, e no ano seguinte, tentou a sua sorte na Daily Express Crusader Championship, uma serie sustentada pela Motor Racing Stables pelos alunos dessa escola, usando Lotus 51 de Formula Ford. Cada aula valia 35 libras, e Tom tinha vendido o seu Mini para pagar as aulas. O prémio era um Lola T200 de Formula Ford, que valia 1500 libras, um valor bem grande nessa altura.

A prova final foi em Silverstone, onde tinha-se qualificado na terceira fila da grelha de partida, e minutos antes da corrida, começou a chover. Jack Pryce, seu pai, contou anos depois que vira o seu filho “esfregar as mãos de contente porque sempre adorara correr na chuva”. Em pouco tempo, tomou o comando e venceu com mais de 30 segundos de vantagem sobre o segundo classificado. Em 1971, foi para a Formula F100, uma competição bi-lugar onde acabou por ser campeão. Ainda correu na Formula SuperVê antes de em 1972, decidir ir para a Formula 3.

 
VITÓRIAS E ATROPLEAMENTOS

 
A sua primeira corrida foi em Brands Hatch, onde ele se tinha estabelecido, numa garagem existente no fundo das boxes do circuito. Essa corrida era de suporte à Race of Champions, uma das provas extra-campeonato mais prestigiosas da altura. A bordo de um Royale, Pryce venceu a corrida com uma facilidade tal que surgiram protestos de outros pilotos, dizendo que o seu carro estava abaixo do peso. Quando os comissários foram ver, descobriu-se que… eram os outros carros que estavam abaixo do peso!

Depois dessa corrida, outras não teve assim tanta sorte. Retiradas em provas de Oulton Park e Zandvoort marcaram a sua passagem, mas o pior iria acontecer no Mónaco, quando participou na prestigiosa corrida de Formula 3, que servia de suporte ao Grande Prémio. Um fio solto o fez parar na zona do Casino, e estava a empurrar o carro para a zona do Mirabeau quando viu o bólido de Peter Lamplough vir na sua direção… e fora de controle. O embate foi inevitável, Pryce foi projetado contra uma loja e partiu uma perna.

Tempos depois, Pryce contou sobre o incidente: “Eu estava mexendo com o carro quando de repente eu vejo o carro do Peter Lamplough na minha direção. Eu simplesmente não podia acreditar – fiquei paralisado. A próxima coisa que eu me lembro é eu a ser retirado da vitrine [da loja], onde o meu carro tinha sido arremessado com o impacto”

Contudo, ele ficou parado apenas por duas semanas, e voltou a correr, não só na Formula 3, como também na Formula SuperVê e na Formula Atlantic. Na SuperVê, venceu o campeonato com facilidade, enquanto que na Atlantic, acabou por vencer a corrida final do campeonato.

Por esta altura, Pryce era piloto oficial da Royale, e eles tinham planos ambiciosos para a Formula 2. Iriam construir um chassis para ela, e contratariam um piloto com dinheiro, Manfred Schurti, do Lichtenstein. Contudo, os planos foram por água abaixo quando Bob King, o patrão da Royale, abandonou a marca.

Contudo, isso não impediu de correr na categoria abaixo da Formula 1 nesse ano. Um convite da Rondel para testar os seus carros resultou na sua contratação para algumas provas nesse ano. A Rondel era uma equipa feita por um mecânico de 26 anos, com experiência na Cooper e Brabham. Seu nome era Ron Dennis, e a sua ideia era de construir chassis e ganhar experiência nas categorias inferiores, antes de ir para a Formula 1.

Pryce era veloz, mas a sua máquina não colaborava. Numa equipa onde teve alguns pilotos de renome, como Henry Pescarolo e Tim Schenken, ambos com experiência de Formula 1, a sua grande corrida foi na ronda de Norisring, onde liderou por muito tempo até que problemas com os seus travões fizeram com que perdesse a sua chance de vitória para o seu companheiro de equipa Schenken.

(continua amanhã)

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