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22 Fevereiro 2019
História

HISTÓRIA: A saga da Manor (última parte)

AS RAZÕES PARA A QUEDA

Por alturas do GP do Brasil, Stephen Fitzpatrick já falava com outras pessoas a ideia de vender os ativos da Manor à melhor oferta. Caso mantivesse o décimo posto, as coisas estariam melhor arrumadas, pois as dividas estavam controláveis, mas tinha um pessoal eficiente e com alguns nomes sonantes como Pat Fry ou Nicholas Tombazis. O novo chassis, o MRT06, provavelmente seria melhor e mais evoluído, com os novos regulamentos, e os motores Mercedes provavelmente seriam tão bons como os da Williams, Force India e até os da casa-mãe.

Contudo, Fitzpatrick queria vender a equipa ao seu preço, algo do qual os interessados não alinhavam nessa ideia. Nos bastidores, falou-se que se chegou muito perto de um acordo com o indonésio Ricardo Gelael, o dono do franchising da Kentucky Fried Chicken no seu país. Ele era o pai de Sean Gelael, piloto da GP2 em 2016. Contudo, é provável que as condições financeiras que Fitzpatrick exigia fossem demais, e o negócio acabou por não acontecer.

Sem compradores interessados nas suas exigências, Fitzpatrick decide no inicio de 2017 que, caso não encontre um comprador até ao dia 31 de janeiro, decide fechar as portas. Coloca a equipa nas mãos da FRP Advisory, protegendo-a de credores, enquanto que continua as negociações. Contudo, chegado o prazo final, Fitzpatrick decide fechar as portas e despedir os 212 funcionários existentes. Depois de sere temporadas e três pontos, a Manor fecha as portas de vez… na Formula 1, pois como é sabido, Booth e Lowndon tinham continuado o nome na Endurance, especialmente na classe LMP2.

Neste mês de março, após o fecho das portas, e enquanto não acontece o leilão dos objetos da marca, documentos tornados públicos pela FRP Advisory, a firma que tomou conta da Just Racing Services Ltd, quando esta pediu proteção contra credores no inicio do ano, demonstrou que a Manor Motorsport devia cerca de 40 milhões de euros, e andou em conversações avançadas durante a temporada de 2016, com vista à sua aquisição, mas os dois pontos conquistados pela Sauber no GP do Brasil estragaram os planos para uma eventual venda.

Essa revelação, feita pelo jornalista Adam Cooper ao site motorsport.com, refere que os administradores tiveram conversações com cerca de 50 credores se afirmaram como partes interessadas na sua recuperação, o que fez com que fossem pagos os salários de janeiro, cerca de 300 mil libras. Contudo, quando nada dali saiu, esses pequenos credores perderam a oportunidade de verem saldadas cerca de três milhões de libras de dividas, e isso incluíam pequenos fornecedores de peças automóveis.

Contudo, os contratos feitos por grandes firmas como a Williams (que forneceu a caixa de velocidades) e a Mercedes, que forneceu o motor, pertencem à firma-irmã Manor Grand Prix Company, que não está sob administração. Curiosamente, quer a Just Racing Services, quer a Manor Grand Prix são detidas a cem por cento por Stephen Fitzpatrick.

A matéria revela também que as conversações para a sua aquisição continuaram mesmo depois do dia 6 de janeiro, quando foi pedida a proteção de credores. E as exigências eram claras:

“O financiamento líquido que a equipa [necessitava] para a temporada de 2017 era de 43 milhões de libras (que exclui qualquer rendimento que poderia ser alcançado a partir de patrocínios). As partes interessadas foram avisadas deste requisito”, começou por dizer.

“Houve discussões com cerca de 50 partes interessadas, mas nenhuma foi capaz de proporcionar conforto suficiente em termos de recursos em dinheiro para permitir que a empresa mantivesse solvente”.

“O pedido às partes interessadas era de mostrar uma disponibilidade imediata de cinco milhões de libras, mais um plano de apoio para mostrar como iriam financiar a temporada de 2017”, concluiu.

Em suma, pode-se dizer que Fitzpatrick queria vender a equipa, se aparecessem os valores ideais, algo do qual se sabe que poucos – muito poucos, diga-se – estão dispostos a acordar. E mesmo com bons motores, boa caixa de velocidades e um chassis que poderá ajudar a colocar a equipa a lutar por pontos no meio do pelotão, isso não foi suficiente para a salvar.

Em conclusão, a vida da Manor da Formula 1 foi de luta. Apesar de ter andado sempre no fundo do pelotão, teve momentos escassos de glória, e infelizmente, de muita tragédia. Mas o mais trágico, para além das perdas humanas, foi a ideia de que a Formula 1 atual se poderia fazer com “tostões”. Não é. Mais do que ser um “Club Piranha”, os custos de construção de chassis e de motores são altos, tão altos que muitos poucos se atrevem a investir por aqui. E também é o fracasso de uma ideia vinda de há muito tempo, para controlar os custos desta modalidade.

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