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16 Janeiro 2019
História

HISTÓRIA: A saga da Manor (5ª parte)

O GRANDE MOMENTO

Apesar do acidente, a temporada – e a equipa – continuava. Depois de em 2012 terem contado com Pic e Glock, este último decidiu ir embora e ir correr no DTM, enquanto que para o seu lugar ia o britânico Max Chilton, que fazia a sua estreia na Formula 1. Pic sai de cena para entrar o brasileiro Luiz Razia. Chegou a posar com o fato da equipa, mas pouco tempo depois descobriu-se que alguns patrocinadores tinham-se retirado à última hora e ele acabou por não alinhar. A alternativa acabou por ser o francês Jules Bianchi, piloto de testes da Ferrari.

As coisas melhoram um pouco, com o MR02, mas não muito. Ainda tinham o motor Cosworth, e nunca houve reais chances de pontuar, apesar de alguma melhoria nos resultados. E claro, a falta de dinheiro dessas novas equipas já cobrava o seu preço: a Hispania tinha arrumado as malas no final da temporada de 2012. A única coisa positiva que a Marussia tinha conseguido em 2013 fora um 13º posto com Bianchi, na Malásia, pior do que fora alcançado no passado. Mas ficaram na frente dos Caterham, conseguindo o décimo lugar no campeonato de Construtores, o que lhes dava vantagens para a temporada seguinte.

A dupla de pilotos Chilton-Bianchi continuou em 2014, mas nessa temporada livravam-se do motor Cosworth para andar nos Ferrari, agora que passavam para os motores V6 Turbo. Um novo chassis fora pronto, o MR03, e havia algumas personagens interessantes na equipa técnica, como Pat Symmonds, o antigo engenheiro da Benetton e Renault. As esperanças foram mostradas com bons resultados no inicio do ano, embora sem pontuar. Contudo, no fim de semana do GP do Mónaco de 2014, as coisas seriam diferentes.

A qualificação não foi grande coisa para os Marussia. Aliás, Bianchi, 19º na qualificação, teve de cumprir uma penalização de cinco lugares por ter trocado de caixa de velocidades, largando atrás de Max Chilton. A largada começou confusa, quando o Lotus de Pastor Maldonado ficou parado na grelha e pouco depois, o Force India de Sergio Perez e o McLaren de Jenson Button colidiram no Mirabeau e levou consigo o Sauber de Adrian Sutil e o segundo Lotus de Romain Grosjean. Ambos continuaram, mas o mexicano não.

Bianchi começou a subir paulatinamente na classificação, evitando os carros destruídos e entrando nas boxes nos momentos certos, sem estragos. Por alturas da volta 55, depois de dois Safety Cars, ele era décimo classificado, mas tinha sido penalizado em cinco segundos, logo, poderia ser apanhado. Contudo, com os problemas que alguns pilotos à sua frente tinham, Bianchi aguentou-se, mesmo com a pressão de Romain Grosjean para o passar. No final da corrida, o francês era oitavo a ver a bandeira de xadrez, mas o nono na geral. Não importava: ele tinha dado à equipa os seus primeiros pontos da sua história, algo do qual, por exemplo, a Caterham não tinha conseguido, pois Marcus Ericsson tinha ficado à porta dos pontos, na 11ª posição.

O resultado foi comemorado como se de uma vitória se tratasse. Até para Bianchi, era um excelente resultado, pois tratava-se da sua corrida “caseira” – era de Nice, não muito longe dali – e de uma certa forma, tinha honrado a herança familiar, pois 46 anos antes, o seu tio-avô Lucien tinha sido terceiro classificado na mesma corrida.

(continua)

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