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20 Novembro 2018
História

HISTÓRIA: Ronnie Peterson, 40 anos depois (parte 3)

(continuação do capitulo anterior)

O ano de 1976 arriscava-se a ser mais um suplício para Ronnie Peterson, pois o novo Lotus 77 não mostrava ser muito melhor do que os anteriores. O sueco mostrava-se frustrado com este modelo, que teve um arranque desastroso, e com Colin Chapman, que não só lutava contra as más vendas dos seus carros (a Lotus Cars estava à beira da falência, depois de uma queda das vendas no mercado americano), como ia eventualmente partir para mais um “ano zero”. E Peterson não tinha mais paciência para isso. E depois de desistir na primeira corrida, no Brasil, devido a um acidente, bateu com a porta. Chapman cedo encontrou outro substituto na figura de outro compatriota seu, Gunnar Nilsson.

Sem equipa para correr no resto da temporada, resolveu voltar às origens: comprou um March modelo 761, e correu com eles durante o resto da temporada. Sendo um carro pouco competitivo, não conseguiu grandes resultados a princípio, mas a segunda metade foi muito melhor: pontuou na Áustria, fez a pole-position na Holanda e ganhou em Itália, fazendo a melhor volta da corrida, espantando tudo e todos quantos aqueles que o julgavam como acabado para a competição. No final da temporada, consegue dez pontos, uma pole e uma volta mais rápida e o 11º lugar no campeonato. Nesse ano provou uma coisa: não tinha perdido a velocidade e a vontade de vencer, mesmo num carro mais modesto.

Em 1977, Peterson vai para a Tyrrell, que corre nesse ano com o lendário modelo P34, de seis rodas. Apesar de ser um modelo revolucionário para a época, os problemas que eles têm com a Goodyear, que não desenvolve pneus de dez polegadas, para as rodas da frente, serão ressentidos na temporada que ele terá. Quando o vê da primeira vez, dirá profeticamente: “Nunca ganharei com este carro!” O seu melhor resultado será o terceiro lugar na Bélgica, uma corrida ganha pelo seu compatriota Gunnar Nilsson, num… Lotus.

Na última prova do ano, no circuito japonês de Fuji, Peterson envolve-se num grave acidente com um jovem novato vindo do Canadá, de seu nome Gilles Villeneuve, que colide com o seu carro devido a problemas de travões. No incidente, onde os dois saem incólumes, duas pessoas acabam por morrer, atingidos pelos destroços dos dois carros. Mais tarde, criticou a atitude do canadiano, afirmando que aquilo tinha sido um erro de principiante, desconhecendo que o piloto da Ferrari tinha ficado sem travões! Nessa temporada, Peterson consegue o 14º posto do campeonato, com sete pontos e uma volta mais rápida.

As pessoas pensavam que a sua carreira estava a chegar ao fim, contudo, no início de 1978, recebe uma proposta surpreendente: Colin Chapman convida Peterson para voltar à Lotus, desta vez ao lado de Mário Andretti. O sueco, que queria uma montada competitiva, esqueceu as zangas com Chapman e aceitou o convite. Contudo, havia condições: para evitar os erros de 1973, o sueco iria ser segundo piloto de Andretti, e caso ele tivesse uma máquina vencedora, o eventual campeão do Mundo seria o americano. No máximo dos máximos, caso tivesse um carro vencedor, Peterson seria apenas o vice-campeão.

Aliás, o seu salário era pago com o dinheiro do patrocinador local, a Polar Caravans. Em suma, a sua presença seria semi-oficial. Naquele ano, a Lotus iria finalmente ter uma máquina vencedora. Que ameaçava ser tão boa ou melhor do que o Lotus 72: o Lotus 79, o primeiro carro que usava eficientemente o “efeito-solo”. Mas o carro só estará pronto na Bélgica, e até lá, tem que se haver com o chassis anterior, o Lotus 78. Vai ser com ele que fará o seu regresso às vitórias, no GP da Africa do Sul, após uma épica batalha na última volta com o Tyrrell de Patrick Depailler. Mas isso só aconteceu porque o seu companheiro Andretti tinha-se atrasado…

Durante boa parte da temporada, não podia mais do que ser o fiel “cão de guarda” de Andretti, garantindo sempre as dobradinhas à equipa negra e dourada. E mesmo que não o quisesse, Chapman fazia questão de dar algum material de segunda categoria, como pneus duros, ou tanques meio-cheios. Mas mesmo assim, por algumas vezes nesse ano, teve oportunidade de brilhar: na Áustria, por exemplo, aproveita a desistência de Andretti para brilhar à chuva, e conseguir uma épica vitória, poucos meses depois de Kyalami. E na corrida seguinte, em Zandvoort, acaba em segundo, mas fica constantemente colado atrás do americano, sem contudo esboçar qualquer tentativa de ultrapassagem. No final da corrida, Andretti disse: “Ele fez-me suar”.

Aliás, Andretti reconhecia o talento do seu companheiro durante a temporada de 1978: “Não quero que o Ronnie sinta que me estaria deixando ganhar corridas. Por isso, andei sempre o mais que podia, ele teve mesmo que se esforçar para me acompanhar em algumas pistas, como em Paul Ricard, onde muitos pensavam que nós passeamos à frente de Hunt, mas lembro-me de ter andado no máximo”.

Quando a Formula 1 chega a Itália, todos na Lotus estão num ambiente festivo. Ambos os títulos estavam na mão, mas apesar de, pessoalmente, aquela temporada ter sido a sua melhor desde há muito tempo, o estatuto de segundo piloto, que tinha cumprido escrupulosamente com Colin Chapman, não o satisfazia, e desejava outros horizontes. Na sexta-feira, anunciara a amigos próximos que tinha assinado um contrato de três épocas com a McLaren, substituindo o seu amigo James Hunt. Algumas pessoas achavam que era um grande chance de lutar pelo título, esquecendo as ordens de equipa.

“Vou correr na McLaren na próxima temporada. Ainda não foi anunciado, mas o Mário sabe. Algumas pessoas – afirmou depois de um longo suspiro – dizem que eu devo esquecer o compromisso que tenho e lutar pelo título. Não os compreendo, eu sabia no que estava a meter quando o assinei. Se o quebrar agora, quem mais me confiará em mim?”

No Sábado, e apesar de alguns problemas de travões e embraiagem com o modelo 79, consegue levar o carro para o quinto posto na grelha de partida da corrida do dia seguinte. Era um lugar inabitual, e ele não estava satisfeito, pois tinha uma boa razão: estava atrás de Jean-Pierre Jabouille, no seu Renault Turbo, que era lento a arrancar, e teme que isso o prejudique a corrida.

Para piorar as coisas, nos treinos livres de Domingo, 10 de Setembro de 1978, uma falha nos travões faz com que o chassis 79 perca o controlo e despiste-se, danificando grandemente o chassis. Sem hipóteses de ter outro carro, tem que socorrer de um chassis reserva, um antigo 78, mais frágil estruturalmente. E para piorar as coisas, o acidente tinha deixado dorido das pernas.

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