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22 Fevereiro 2019
Destaques Formula 1 História

HISTÓRIA: Os 35 anos do GP de San Marino de 1982

Há precisamente 35 anos, a Formula 1 vivia novo boicote. Depois de alguas equipas terem visto a FISA chumbar os seus protestos devido à desclassificação do Brabham de Nelson Piquet e o Williams de Keke Rosberg mo GP do Brasil, a FOCA, associação de equipas, liderada por Bernie Ecclestone, decidiu que iriam protestar essa decisão, boicotando a corrida seguinte. Como a decisão apareceu após o GP de Long Beach, a 7 de abril, a decisão iria entrar em força na quarta prova do ano, em San Marino.

Contudo, o boicote não iria ser obedecido por todos. Se Lotus, Ligier, Brabhan, Arrows, Theodore, Ensign, Williams, McLaren ou Fittipaldi alinhavam nesse boicote, Toleman, ATS, Osella e Tyrrell iriam furá-lo, pois tinham pilotos ou patrocinadores italianos. Do lado das marcas, todos alinhavam: Ferrari, Alfa Romeo e Renault iriam abrilhantar a festa.

UM PELOTÃO MAIS DO QUE PEQUENO

Apesar de apenas 14 carros alinharem à partida desse Grande Prémio, havia mudanças no pelotão: na Tyrrell, o britânico Brian Henton substituía o sueco Slim Borgudd, que apesar de ter feito alguns resultados interessantes, não tinha pontuado. E ainda por cima, o dinheiro tinha acabado, logo, o seu lugar ficou com o piloto que tinha começado o ano pela Arrows, pois o suíço Marc Surer, que se tinha magoado durante os testes de pré-temporada em Kyalami, estava de volta.

Com todos aqueles carros, isso iria significar que todos iriam participar, logo, alguns iriam ter a sua primeira chance de correr, como os Toleman de Teo Fabi e Derek Warwick, ou o segundo Osella de Riccardo Paletti.

Como a corrida acontecia em terras italianas, esperava-se que os Ferrari dominassem os treinos. Contudo, no final das duas sessões de qualificação, os melhores foram os Renualt de René Arnoux e Alain Prost, com os Ferrari de Gilles Villeneuve e Didier Pironi a monopolizarem a segunda fila. Nichele Alboreto era o quinto, intrometendo-se entre os Alfa Romeo de Bruno Giacomelli e Andrea de Cesaris. Derek Warwick era o oitavo, no seu Toleman, seguido por Jean-Pierre Jarier, no seu Osella, e o “top ten” era fechado pelo segundo Toleman de Teo Fabi.

MAIS COMPETITIVO DO QUE SE JULGAVA

Parecia que a corrida poderia ser um duelo entre Renault e Ferrari, os carros mais velozes e com motor Turbo. Os Renault foram para a frente no inicio, mas os Ferrari não os perdiam de vista, sabendo que os motores franceses tinham tendência para se quebrar rapidamente. Mas os primeiros a desistir foram o Toleman de Warwick (problemas elétricos) e o Tyrrell de Henton (quebra na transmissão). Na volta quatro, De Cesaris desiste e duas voltas depois, era a vez de Prost abandonar com o motor rebentado.

A partir dali, era um duelo a três, entre Arnoux, Villeneuve e Pironi. O francês da Renault fazia o possivel em ter os carros vermelhos atrás dele, mas não o largavam tão cedo. Quando Bruno Giacomelli desiste, na volta 24, vitima de problemas de motor, o pelotão está reduzido a nove carros, e um deles, o Toleman de Fabi, atrasava-se bastante no fundo do pelotão.

As lutas continuavam pelo liderança, com Arnoux a intrometer-se entre os Ferrari, especialmente Gilles Villeneuve, que queria liderar a corrida e tentar a primeira vitória do ano para a Scuderia. Didier Pironi, esse, observava e tentava aproveitar o que mais podia.

Contudo, na volta 44, quando os carros rolavam na curva Tamburello, via-se fumo na traseira do Renault de Arnoux. A sua corrida acabava ali, e a Ferrari tinha garantida uma dobradinha.

A TRAIÇÃO DO ESCUDEIRO

Visto isto como um “fait accompli”, a Scuderia ordena aos seus pilotos para abrandarem, para levar os seus carros ao fim. Pelo contrário: o ritmo foi aumentado, com Pironi a começar a atacar o seu companheiro de equipa. Villeneuve não se fazia de rogado e respondia, tentando ultrapassá-lo. Quando fazia, relaxava o suficiente para ver o francês tentar ultrapassá-lo, o que conseguia. O duelo continuou assim até à volta 58, quando se pensava que Villeneuve tinha passado e a disputa se ficaria por ali. Mas Pironi tentou uma última vez e conseguiu ficar com a liderança. O canadiano atacou, mas foi tarde: a vitória ia para o piloto do carro numero 28.

O que não se sabia era que aquilo tudo não tinha sido uma encenação dramática: tinha sido tudo real. Aqueles dois pilotos queriam ficar com o primeiro lugar e lutaram com todas as forças. O que ninguém sabia – nem o próprio Villeneuve – era que Pironi queria vencer, para mostrar que era o melhor piloto de um carro que de repente, tinha se tornado bom. O canadiano, ultrajado, subiu ao pódio, recolheu o seu prémio e foi-se embora, acusando-o de ser um traidor.

O resto, pouso interessava: Michele Alboreto era o terceiro, conseguindo o seu primeiro pódio da sua carreira, e a primeira da Tyrrell desde 1979, seguido pelo Osella de Jean-Pierre Jarier e os ATS de Eliseio Salazar e Menfred Winkelhock. No final, os comissários iriam descobrir irregularidades no carro do piloto alemão – estava abaixo do peso – e iria ser desclassificado.

A FOCA iria voltar com os seus carros na corrida seguinte, na Bélgica, mas entretanto, ambas as partes decidiram acordar em relação aos regulamentos, dando origem a aquilo que viria a ser chamado de “Acordo de Concórdia”, que seria assinado até 1987. De uma certa forma, a Formula 1 estava salva, mas outros problemas vinham a caminho.

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