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19 Dezembro 2018
História

HISTÓRIA: O GP dos Estados Unidos de 1968

Duas semanas depois do Canadá e da estreia de Mont-Tremblant no mapa dos circuitos, era a vez de Watkins Glen receber o pelotão da Formula 1, com o campeonato absolutamente ao rubro, pois haviam três pilotos com possibilidades de alcançar o título mundial; Graham Hill, no seu Lotus, Jackie Stewart, no seu Matra, e Dennis Hulme, no seu McLaren.

A lista de inscritos da corrida americana tinha como movidades dois pilotos locais, mas não eram uns quaisquer: eram Mario Andretti, de origem italiana e que tinha emigrado para os Estados Unidos treze anos antes, e Bobby Unser. Unser, que tinha ganho o título da USAC Indycar Racing (a antecessora da IRL) nesse ano, iria correr num dos BRM inscritos, ao lado do mexicano Pedro Rodriguez. Andretti era o seu grande rival, e tinha ficado no segundo lugar no campeonato daquele ano. O italo-americano iria conduzir um Lotus 49, a convite de Colin Chapman, começando aqui uma longa relação com a marca, que o iria dar o título mundial, dez anos depois.

Entretanto, a Ferrari foi buscar um substituto para Jacky Ickx, lesionado numa das pernas, na figura do britânico Derek Bell, que já tinha corrido para a marca em Monza.

Os treinos foram um duelo entre Stewart e o Ferrari de Chris Amon, com Graham Hill à espreita, mas no Sábado, surpreendentemente, Mario Andretti fazia o melhor tempo e conseguia a “pole-position”, e logo na primeira corrida da sua carreira na Formula 1! Ao seu lado ficava Jackie Stewart, no Matra, e no terceiro posto o Lotus de Graham Hill. Em quarto ficava Amon, enquanto que Dennis Hulme vinha logo a seguir, no quinto posto. jochen Rindt era o sexto, no seu Brabham, seguido por Dan Gurney, no McLaren, o carro de Jack Brabham, e a fechar o “top ten”, o Honda de John Surtees e o carro de Bruce McLaren.

Bobby Unser, que estava inferiorizado (fracturara o tornozelo um dia antes, num jogo de baseball de caridade!) tivera um acidente e não conseguira mais do que o 19º posto. Quem também tinha um acidente e não podia correr era Jackie Oliver, no outro Lotus 49, enquanto que o motor Matra de Henri Pescarolo cedera e não existia um substituto para o piloto francês, teve que ver a corrida na bancada.

Anos depois, Andretti recordava esse momento: “Foi um marco na minha carreira. As hipóteses de tal acontecer eram incríveis, mas o carro era magnifico, e com a ajuda de Maurice Phillipe (o engenheiro da Lotus) alcançamos um bom ‘setup’. Depois foi sempre prego a fundo na qualificação, e o carro respondeu bem“.

No dia da corrida, 93 mil pessoas foram a Watkins Glen, muitos deles para verem o que um “outsider”, Andretti, poderia fazer contra o “establishment” da Formula 1. A corrida começou com Andretti na frente, mas no final da primeira volta, Stewart tinha o passado e conquistara a liderança. Entretanto, Chris Amon ultrapassara Hill e era terceiro, no seu Ferrari. A ordem não se altera muito até à volta 14, quando parte do bico da frente do carro de Andretti parte-se e ele tem de ir à boxe, para substituir a peça defeituosa. Volta à pista e tenta recuperar, mas no final da volta 32, a embraiagem cede e tem de desistir.

Entretanto, Stewart continuava na frente, desta vez com Hill na seguida posição, já que Chris Amon despistou-se e caiu para o fundo do pelotão. Entretanto, o seu compatriota Hulme teve uma fuga de óleo e foi à boxe reparar o carro. Tentou recuperar o tempo perdido, mas no final da corrida, quando já rolava nos pontos, a direcção cedeu e despistou-se. Quem também já tinha abandonado era Bobby Unser, devido a um problema de motor, na volta 35. Seria a sua unica incursão na Formula 1.

Depois de Stewart e Hill, o terceiro lugar estava a ser disputado, mas perto do final da corrida pertencia ao segundo McLaren de Dan Gurney. Só que o Honda de John Surtees, que nos treinos tinha sido somente nono na grelha, estava a aproveitar os azares alheios para se aproximar do terceiro posto. Na última volta, Surtees via Gurney à sua frente, que debatia com um furo lento e e diminuir a velocidade, para poupar combustivel. O inglês acelerou e ficou com o terceiro posto, dando à Honda o seu último pódio como equipa, até 2006.

Nos restantes lugares pontuáveis, depois do quarto lugar de Gurney, ficou o Lotus privado de Jo Siffert e o McLaren de Bruce McLaren. A vitória de Stewart aumentara imenso as suas chances de vitória, no campeonato, mas Hill, que fora segundo, sabia que bastava apenas ficar na frente do escocês e de Hulme para conquistar o bi-campeonato. Mas tinha que o conseguir na última prova do campeonato, na Cidade do México.

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