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20 Novembro 2018
História

HISTÓRIA: O GP do Japão de 1993

Com o título mundial atribuído, e com o anúncio da retirada de Alain Prost da competição, o ambiente era bastante mais descontraído do que o habitual, embora no mês que tinha passado entre as corridas do Estoril e de Suzuka, muito tinha acontecido no paddock.

Primeiro que tudo: a McLaren tinha assinado um acordo com a Peugeot, para fornecer motores para 1994. A marca francesa iria estrear-se na Formula 1, depois de uma carreira bem sucedida dos Sport-Prototipos. Contudo, isso tinha vindo muito tarde para manter Ayrton Senna na McLaren, ele que tinha finalmente assinado um acordo de três temporadas com a Williams-Renault, ao lado de Damon Hill. Entretanto, a Lotus decidira manter Pedro Lamy até ao final da temporada, pois Alex Zanardi ainda não estava em forma para voltar ao volante. A Jordan confirmava a estreia de Eddie Irvine no seu carro, enquanto que a Larrousse dispensava Philippe Alliot para colocar no seu lugar o local Toshio Suzuki, sem qualquer tipo de relação com Aguri Suzuki.

Entretanto, na Minardi, Christian Fittipaldi ia-se embora mais cedo, para ser substituído pelo francês pagante Jean-Marc Gounon. A Ligier, cujo novo proprietário, Cyril de Rouvre, passava por problemas legais, colocava no carro de Martin Brundle um belo desenho feito pela pena de Hugo Pratt, o mesmo desenhador de Corto Maltese.

Nos treinos, Alain Prost consegue a “pole-position”, com Ayrton Senna a seu lado. Na segunda fila ficavam o segundo McLaren de Mika Hakkinen e o Benetton-Ford de Michael Schumacher. Na terceira fila ficavam o Ferrari de Gerhard Berger e o Williams de Damon Hill, que por causa de um despiste, não conseguia mais do que este sexto posto. Na quarta fila ficavam o Footwork de Derek Warwick e o Jordan de Eddie Irvine, surpreendendo muita gente no seu GP inicial. Certamente, aproveitando o seu conhecimento de Suzuka… Para fechar o “top ten”, ficaram o segundo Footwork de Aguri Suzuki e o Benetton de Riccardo Patrese. Pedro Lamy alinhava no vigésimo posto da grelha, ao lado do seu companheiro, Johnny Herbert.

Na partida, Senna parte melhor e fica com a liderança, seguido de Prost e Hakkinen. Berger é o quarto e Irvine o quinto, mas logo a seguir, é ultrapassado por Schumacher e Hill, que tinham tido más partidas. Quem ficava ainda na primeira volta era Andrea de Cesaris, com uma avaria eléctrica no seu Tyrrell-Yamaha.

Poucas voltas depois, o motor de Jean Alesi explode, enquanto que o seu companheiro Berger aguenta Schumacher e Hill, que tentam chegar ao quarto posto. No final da décima volta, o alemão da Benetton, que tinha sido ultrapassado por Hill, toca no Williams na zona da chicane e fica com a roda frente-esquerda torta, desistindo na hora. Iria ser o primeiro de muitos toques entre os dois…

Poucas voltas mais tarde, quando os líderes começam a fazer a sua primeira troca de pneus, a chuva faz a sua aparição. De início, não se fazem as trocas para pneus de chuva, mas com o tempo, a intensidade aumenta, e aí elas são inevitáveis. Prost volta temporariamente à liderança, quando Senna para a troca, mas cedo regressa à primeira posição.

Contudo, um pouco mais tarde, a chuva parou e o sol voltou a fazer a sua aparição, fazendo com que os pilotos voltassem a colocar pneus slicks, já que começava a surgir uma linha seca. Senna desembaraçou-se de Prost e Hill, e Hakkinen apossou-se da terceira posição, numa corrida sem erros. Hill era o quarto, enquanto que mais atrás, Rubens Barrichello fazia uma excelente corrida e estava na zona dos pontos, e Derek Warwick, o sexto, estava a ser assediado pelo novato Irvine.

De facto, o piloto irlandês estava a fazer uma excelente corrida, mas as suas atitudes na pista estavam a chatear os outros. Hill e Senna ficaram chateados com a sua prestação, e Warwick foi o que teve pior desfecho, pois a três voltas do fim, quando disputavam a sexta posição na chicane, Irvine colocou-o fora de pista. Por essa altura, o Lotus de Pedro Lamy, que rolava na décima posição, sofre um despiste numa das curvas rápidas depois da meta, acabando ali a sua corrida.

No final, Senna corta a meta como vencedor, conquistando a sua 40ª vitória, e a 103ª vitória para a McLaren. Nessa altura, a equipa de Ron Dennis tinha igualado a Ferrari no número de vitórias na história da Formula 1. Depois vinha Prost, e o novato Hakkinen, estreando-se nos pódios, e conquistando o primeiro para a Finlândia em dois anos… nos restantes lugares pontuáveis ficavam Damon Hill, e os Jordan de Rubens Barrichello e Eddie Irvine.

Contudo, a corrida teve uma “terceira parte”. Insatisfeito com as manobras de Irvine, Senna foi tirar satisfações ao irlandês devido às suas manobras perigosas. O irlandês respondeu de forma irónica e arrogante, e Senna respondeu… dando-lhe um murro. No final, o brasileiro disse que ele “não era um piloto, mas sim um idiota”, enquanto que o irlandês disse que “ele ganha tanto dinheiro, devia ultrapassar-me com mais facilidade”. A Fórmula 1 tinha acabado de acolher no seu seio um dos mais coloridos pilotos de sempre.

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