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20 Novembro 2018
História

HISTÓRIA: O GP do Japão de 1988

O GP do Japão de 1988 constituía um momento decisivo na candidatura do título mundial para o brasileiro Ayrton Senna. Sabia que graças ao sistema usado, onde se aproveitavam somente onze dos dezesseis melhores resultados, o seu adversário, Alain Prost, teria de deitar mais pontos fora do que ele, logo, ao piloto brasileiro bastava uma vitória no circuito japonês para conseguir alcançar o seu sonho: ser campeão do Mundo.

O último fim-de-semana de Outubro ia ser um momento decisivo na carreira do piloto brasileiro, pois pela primeira vez, tinha uma chance real de arrebatar o título, ainda por cima na casa da Honda, o parceiro de motores. Mas para além disso, havia outras novidades no “paddock”. Por exemplo: a Larrousse teve que trocar subitamente o seu piloto, Yannick Dalmas, que estava doente, por um local chamado Aguri Suzuki.

Nos treinos, a primeira fila era obviamente da McLaren, com Ayrton Senna a ser melhor do que Alain Prost. Na segunda fila, o Ferrari de Gerhard Berger partilhava a segunda fila com Ivan Capelli, num registo que já começava a ser habitual… a terceira fila pertencia à Lotus, que metia Nelson Piquet e o herói local, Satoru Nakajima. Na quarta fila ficavam o Arrows-Megatron de Derek Warwick e o Williams.Judd de Nigel Mansell. A fechar o “top ten” estavam o Ferrari de Michele Alboreto e o Benetton de Thierry Boutsen.

Dos 31 inscritos, 26 entravam na competição, logo, cinco ficariam a ver a corrida na bancada. Foram eles o Coloni de Gabriele Tarquini, o Zakspeed de Piercarlo Ghinzani, os Eurobrun de Óscar Larrauri e Stefano Modena, e o Ligier de Stefan Johansson.

Na partida, acontece o momento mais temido por ele: fica parado na grelha. Mas ao mesmo tempo que os outros passam por ele, aproveita o facto daquela zona da pista ser a descer para ganhar velocidade suficiente para fazer pegar o carro e volta à corrida. Quando acontece, Senna tinha caído para a 14ª posição, mas a partir daquele momento, começa a recuperar o tempo perdido, e a encurtar a diferença para o seu rival Prost. Na volta seguinte, já tinha passado seis pilotos, e à quarta volta, tinha chegado à quarta posição!

Quem também fica parado na grelha fora Satoru Nakajima, mas também voltou à corrida, como Senna. Entretanto, Prost ia na frente, tranquilo, enquanto tinha Berger e Capelli atrás de si. Warwick era o quarto, mas leva um toque de Nigel Mansell, quando o inglês o tenta ultrapassar. Contudo, continua a corrida, enquanto que o inglês tem que ir às boxes para trocar a frente do carro. Mas nas voltas seguintes, o austríaco da Ferrari começava a ter problemas de consumo no carro, e deixava passar Ivan Capelli para o segundo lugar. Então, o italiano da March passou ao ataque e a ameaçar a liderança do francês!

Na 11ª volta, Senna ultrapassa Berger, para a terceira posição, ao mesmo tempo que Nelson Piquet sai de pista na primeira curva e tem de abandonar. Três voltas mais tarde, o Larrousse de Suzuki despista-se na chicane e volta mesmo em frente de Prost, e esta hesitação é aproveitada por Capelli para o ultrapassar! No inicio da 15ª volta, Ivan Capelli consegue um feito histórico: é o primeiro não-Turbo a liderar uma corrida em quatro temporadas.

Mas isso é sol de pouca dura. Prost puxa mais pelo motor a volta à liderança, e com isto, Senna aproximava-se perigosamente de ambos os carros. Na volta 19, Senna passa Capelli, que começava a ter problemas eléctricos (desistiu pouco tempo depois) e parte em cima do líder.

E na volta 27, a oportunidade: o francês apanha dois retardados: o March de Maurício Gugelmin e o Rial de Andrea de Cesaris. O francês fica preso atrás dos dois à saída da chicane, e o brasileiro aproveita para atacar a liderança. E consegue! Nas voltas seguintes, o brasileiro tenta afastar-se um pouco do piloto francês, para conseguir garantir a liderança, numa pista onde em certos sítios, caía uma ligeira chuva.

Até ao final, não houve novidades de maior, e quando passou a meta pela última vez, Ayrton Senna sucedia a Nelson Piquet na lista de campeões do Mundo, ficando o título no Brasil. Com Prost na segunda posição, o Benetton de Thierry Boutsen completava o pódio, com o terceiro lugar. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Ferrari de Gerhard Berger, o segundo Benetton-Ford de Alessandro Nannini, e o Williams-Judd de Riccardo Patrese.

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