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18 Outubro 2018
História

HISTÓRIA: O GP do Canadá de 1978

Uma semana depois de Watkins Glen, o pelotão da Formula 1 atravessava a fronteira e chegava ao Canadá, num circuito novo, construído na Ilha de Notre-Dâme, em Montreal no mesmo sítio onde, nove anos antes, tinha decorrido a Expo 67, e onde tinham também sido realizadas as provas de remo dos Jogos Olímpicos, que tinham decorrido apenas dois anos antes.

Ter uma pista no meio do Rio São Lourenço, provavelmente era uma maneira do Quebec capitalizar os feitos do jovem Gilles Villeneuve nas pistas europeias e mundiais, ao volante de um dos carros da Scuderia. Óptimo para a publicidade, mas péssimo para os pilotos, pois estes se queixaram que ela era demasiado estreita, dificultando as ultrapassagens.

Os organizadores decidiram que a grelha seria restrita a 22 lugares, e estavam 28 pilotos inscritos. No pelotão, Riccardo Patrese estava de volta à Arrows, depois da GPDA o ter banido de correr a prova anterior, pois os pilotos achavam que ele era o culpado pelo acidente fatal de Ronnie Peterson, um mês antes, em Monza. Na Brabham, estes inscreviam um terceiro carro para o jovem brasileiro Nelson Piquet. Na Ensign, Derek Daly iria correr desta vez sozinho.

Os treinos foram uma batalha entre o Wolf de Jody Scheckter, o Lotus de Jean-Pierre Jarier e o Ferrari de Gilles Villeneuve. Jarier levou a melhor, batendo o sul-africano por um centésimo de segundo, enquanto que Villeneuve era o terceiro. No quarto posto da grelha ficava o Brabham de John Watson, enquanto que a terceira fila tinha o Williams de Alan Jones, que melhorava a olhos vistos, e o Copersucar de Emerson Fittipaldi, na melhor qualificação do ano para a marca. Na quarta fila estavam Niki Lauda e o Shadow de Hans – Joachim Stuck. E a fechar o “top ten” estavam o Lotus de Mário Andretti e o Ligier-Matra de Jacques Laffite.

Nelson Piquet qualifica-se numa satisfatória 14ª posição, enquanto seis pilotos não se qualificam na última corrida do ano: o Shadow de Clay Regazzoni, o Surtees de Beppe Gabbiani, o Merzário de Arturo Merzário, o Arrows de Rolf Stommelen, o ATS de Michael Bleekmolen e o Lotus privado de Hector Rebaque. Para Gabbiani, Bleekmolen e Stommelen, foram as suas ultimas aparições na Formula 1.

No dia da corrida, sob céu nublado e muito frio, mais de cem mil pessoas foram assistir à etapa final do campeonato, esperançados, talvez, em ver pela primeira vez um canadiano no lugar mais alto do pódio. Na partida, Jarier arranca bem e consegue arranjar uma grande vantagem sobre o resto do pelotão, liderado por Jones, seguido por Scheckter, Villeneuve e Watson. Entretanto, Fittipaldi e Stuck envolvem-se pelo quinto lugar e acabam na berma nas primeiras curvas do circuito.

Com o passar das voltas, a vantagem de Jarier aumenta consideravelmente, e todos achavam que o piloto francês, que tinha guiado parte do ano ao serviço da Arrows, iria finalmente ganhar a sua primeira corrida da carreira. Quando ao seu companheiro Mário Andretti, este estava a lutar pela quinta posição com Watson. Contudo, na volta oito, ambos colidiram, causando a desistência do piloto inglês e o atraso do americano. Iria acabar a corrida no décimo lugar, a uma volta do vencedor.

Na volta 18, Jones começa a sofrer com um furo lento, e perde o segundo lugar a favor de Scheckter, e depois o terceiro posto a favor de Villeneuve. Poucas voltas depois, o canadiano apanha o seu futuro companheiro de equipa na Ferrari, e sobe à segunda posição, tendo agora mais de 30 segundos de desvantagem sobre Jarier, que continuava a sua cavalgada solitária, e nada o poderia parar rumo à banderia de xadrez.

Nada… excepto a pressão do óleo. No final da volta 50, Jarier vai para as boxes um problema dessa índole, e não há outra hipótese senão abandonar a corrida. Assim Gilles Villeneuve herdava a liderança, para gáudio dos locais. A vinte voltas do fim, Villeneuve tinha um bom avanço sobre o resto do pelotão, e tinha somente de se controlar e levar o carro até ao fim, para conseguir o que era para muitos um sonho: um canadiano a ganhar o seu próprio Grande Prémio!

No final, perante cem mil canadianos delirantes e o primeiro-ministro Pierre Trudeau, Gilles Villeneuve dava à Ferrari a quinta vitória do ano, e a primeira da sua carreira. Scheckter era segundo, no Wolf (seria o último pódio para a marca), e Carlos Reutemann o terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Arrows de Riccardo Patrese, o Tyrrell de Patrick Depailler e o Ensign de Derek Daly, na primeira vez que um piloto da Republica da Irlanda alcançava pontos na Formula 1.

 

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