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20 Novembro 2018
História

HISTÓRIA: O GP de Marrocos de 1958

A corrida final do campeonato de 1958 iria acontecer num local completamente novo: Marrocos. Era a primeira vez na sua história que a Formula 1 ia para paragens africanas, ainda por cima num país que há menos de dois anos tinha alcançado a independência, logo, o GP de Marrocos era provavelmente o primeiro grande evento desportivo mundial a ter lugar naquele país.

Era um campeonato renhido, mas todos sabiam que dali, um inglês iria ser campeão do Mundo, o primeiro vindo das terras de Sua Majestade. Mike Hawthorn, no seu Ferrari era o líder, com 35 pontos, contra os 32 de Stirling Moss. O piloto da Vanwall tinha que ganhar e fazer a volta mais rápida (na altura, contava um ponto), e esperar que Hawthorn não conseguisse mais do que a terceira posição, para ser coroado o novo campeão do Mundo. Era difícil, mas possível. Para isso contava com a ajuda dos seus companheiros na Vanwall, Tony Brooks e Stuart Lewis-Evans.

No lado da Ferrari, Para além de Hawthorn a Scuderia tinha levado para Casablanca o americano Phil Hill e o belga Olivier Gendebien. Três contra três, Vanwall contra Ferrari, tudo podia acontecer, pois o título de construtores também estava em jogo.

Outras equipas também estavam em Marrocos. A BRM levava quatro carros, para o americano Harry Schell, para o inglês Ron Flockhart, para o sueco Jo Bonnier e para o francês Jean Behra, que tinha ganho aqui no ano anterior, ainda a corrida era extra-campeonato. A Cooper levava três carros, um para o francês Maurice Trintignant, outro para Roy Salvadori e o terceiro para Jack Fairman, ambos britânicos. A Maserati tinha três carros, dois inscritos pela Scuderia Centro-Sud, para Wolfgang Seidel e Gerino Gerini, e um terceiro, inscrito pela Ecurie Jo Bonnier, para Hans Hermann. Por fim, a Lotus levava dois carros, para Cliff Allison e para Graham Hill.

Para além destes carros, estavam inscritos seis carros de Formula 2, todos Cooper. Um era pertencente a Jack Brabham, e outro para o jovem neozelandês Bruce McLaren. Os outros quatro eram para Robert de la Caze e André Guelfi, dois pilotos locais, para o inglês Tommy Bridger e para o francês Francois Picard.

Os treinos mostraram a luta pelo título, pois Hawthorn marcou a pole-position, mas Moss não estava muito longe. Aliás, estava a seu lado, na segunda posição! O terceiro era o segundo Vanwall, de Stuart Lewis-Evans. Nos lugares seguintes, ficavam o BRM de Jean Behra, o segundo Ferrari de Phil Hill e o seu companheiro, o belga Olivier Gendebien. Tony Brroks era sétimo, no segundo Vanwall, seguido por Jo Bonnier, e a fechar o “top ten” estavam o Cooper de Maurice Trintignant e o BRM de Harry Schell.

No dia 19 de Outubro de 1958, perante dezenas de milhares de pessoas e o Rei Mohamed V, deu-se a partida da corrida de encerramento do campeonato de 1958. Na partida, Moss salta para a frente, com Phil Hill logo atrás, numa surpreendente segunda posição. Hawthorn era terceiro e Bonnier o quarto. No final da terceira volta, Hill despista-se numa curva, e cai para o quarto posto. Logo regressa à pista e consegue apanhar o sueco da BRM, e fica no terceiro lugar. Neste momento, Moss, apesar de estar na frente, não ganha o título, pois os dois Ferrari estão logo atrás… Entretanto, Brooks tenta apanhar os da frente, mas no final da 11ª volta, o seu motor rebentou. Enquanto isso, Moss estabelecia a volta mais rápida da corrida, o que lhe dava um ponto extra, mas isso não era suficiente, pois Hawthorn tinha que ser terceiro para declarar campeão.

Enquanto isso, Stuart Lewis-Evans era o quarto, e tentava apanhar os dois Ferrari, para ajudar Moss. Mas no final da volta 41, o seu motor explodiu, tal como Brooks. Mas quando o motor rebentou, também vazou óleo, que colocou o carro em chamas. Como tinha motor à frente, Lewis-Evans saiu do carro como se fosse uma tocha humana. Socorrido pelos comissários, foi levado para o hospital, e dali para a Grã-Bretanha, no avião privado de Tony Vandervell. Contudo, as queimaduras de Lewis-Evans revelar-se iam fatais e morreria seis dias depois.

Enquanto o drama acontecia mais atrás, Moss fazia a sua parte, liderando a corrida. Mas Hawthorn era o segundo classificado, e isso era o suficiente para se sagrar campeão do Mundo, caso chegasse ao fim. Phil Hill era o terceiro, e as coisas se mantiveram assim até à meta. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam Jo Bonnier e Harry Schell, nos seus BRM.

Para Hawthorn, era a sua hora de consagração. Assim, poderia cumprir a promessa que fez no momento da morte do seu “Mon Ami, Mate” Peter Collins, em Nurburgring, e retirar-se da competição. Tornara-se no primeiro piloto britânico a ganhar um título mundial de Formula 1, e foi um feito sobreviver a uma temporada que viu morrer dois dos seus companheiros na Ferrari: Luigi Musso e Peter Collins. Infelizmente, não iria gozar muito o título, pois três meses depois, em Janeiro de 1959, iria morrer ao volante do seu Jaguar perto de Guilford, no Surrey.

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