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18 Outubro 2018
História

HISTÓRIA: O GP de Espanha de 1988

Depois do soluço de Senna no Estoril, o piloto brasileiro tinha que reagir, se queria ganhar o título mundial naquele ano. Na pista portuguesa, os problemas no seu carro impediram-no de ir além do sexto posto, enquanto via o seu rival conquistar a vitória. E agora, oito dias depois, no desértico circuito espanhol de Jerez de la Frontera, na Andaluzia espanhola, ele tinha uma chance de voltar à dianteira.

Em 1988, a Formula 1 em Espanha era bastante menos popular do que o motociclismo, palco de vários campeões nas diversas categorias. Nesta corrida iam à volta de 15 a 20 mil espectadores, um claro contraste com os 120 mil que vinham para ver as motos. E nesse ano, Luís Perez-Sala não era chamariz, Montmeló ainda era um projecto, e a pessoa que iria atrair milhões para a categoria tinha apenas sete anos, estava na escola primária e fazia karting nos tempos livres…

Foi nesse ambiente desolado que a Formula 1 iria correr. Nos treinos, Ayrton Senna foi o melhor nos treinos, batendo categoricamente Alain Prost. Na segunda fila, ficavam o Williams-Judd de Nigel Mansell, que dava à equipa a melhor qualificação do ano, e tinha a seu lado o Benetton do belga Thierry Boutsen. Na terceira fila estavam o segundo Benetton de Alessandro Nannini, e o March de Ivan Capelli, moralizado pelo pódio conseguido uma semana antes, no Estoril. Riccardo Patrese era sétimo, na frente de Gerhard Berger, no melhor dos Ferrari, enquanto a fechar o “top ten” ficaram o Lotus-Honda de Nelson Piquet e o segundo Ferrari de Michele Alboreto.

Quanto a Perez-Sala, o herói local, não foi além da 24ª posição na grelha. Os Zakspeed de Piercarlo Ghinzani e Bernd Schneider, o Eurobrun-Judd de Óscar Larrauri, o Coloni de Gabriele Tarquini e o Tyrrell-Judd de Julian Bailey tinham pior sorte do que Sala: não se qualificavam.

Na partida, Prost larga melhor do que Senna, que tem um arranque lento, superado até pelo inglês Nigel Mansell. Nas primeiras voltas, o piloto francês aproveita a ocasião para abrir uma vantagem decisiva para o segundo classificado, que tinha um andamento nitidamente inferior ao resto do pelotão, liderado por Senna. Só que com o tempo, o piloto brasileiro começou a debater-se com algumas dificuldades relacionadas com o cálculo do combustível, e não passava do terceiro posto. Um pouco mais adiante, Riccardo Patrese e Ivan Capelli lutavam pelo quarto posto, e o andamento que estavam a empregar fez com que cedo se aproximassem de Senna. Ao mesmo tempo, Alessandro Nannini e Gerhard Berger lutavam entre si para o último posto pontuável.

Por volta da 30ª passagem pela meta, Capelli, Berger e Piquet tinham ido às boxes para colocar pneus novos, e partiam ao ataque de Patrese e Senna. Na volta 36, Capelli passa o italiano da Williams e três voltas depois, o brasileiro da McLaren, ficando com o terceiro posto. Tudo indicava que o italiano ia para mais uma prova excepcional, mas na volta 46, o motor Judd cedeu, e o italiano viu o resto da corrida na berma.

Na volta 47, Mansell vai para as boxes, e perde algum tempo devido a problemas numa porca da roda, fazendo com que Prost se distanciasse ainda mais. Entretanto, Nannini, que também tinha metido pneus novos, ultrapassa Patrese e Senna em pouco tempo, o que faz com que o brasileiro decida parar também, para colocar pneus novos, caindo para o sétimo posto.

Depois de ter voltado à pista, Senna fez uma corrida de recuperação, passando primeiro os seus compatriotas Piquet e Gugelmin, e partindo em perseguição de Patrese, que tentava chegar ao fim somente com um só conjunto de pneus. Senna acelerou, e na volta 65, consegue ultrapassar o italiano. Contudo, este feito só veio minimizar os estragos, pois o seu rival, Alain Prost, ia direito à vitória, sem rivais à altura. Mansell foi o segundo e Nannini o terceiro, ambos subindo ao pódio pela segunda vez naquela temporada. Depois de Senna e Patrese, Gerhard Berger ficou com o último lugar pontuável.

Contudo, apesar destes maus resultados, Senna ainda tinha esperança de alcançar o título, pois numa temporada onde só contabilizavam os 11 melhores resultados, Prost tinha que deitar muitos mais pontos fora do que Senna, e era esse equilíbrio artificial que mantinha tudo em suspenso até à prova seguinte, no circuito de Suzuka, dali a três semanas.

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