Formula 1 História

HISTÓRIA: O GP de Detroit de 1983

Duas semanas depois do GP da Belgica, a Formula 1 fazia a sua segunda paragem em terras americanas, depois de Long Beach, em abril. Detroit era um circuito de rua que se tinha estreado no ano anterior, e sendo a “capital do automóvel” americana, a ideia subjacente de Bernie Ecclestone era de atrair potenciais construtores americanos para a Formula 1.

Sendo um circuito de rua, numa pista tão ou mais travado do que o Mónaco, os carros aspirados tinham mais chances de brilhar na sua batalha com os motores Turbo. Especialmente pilotos como Keke Rosberg, que semanas antes tinha vencido no Mónaco com o seu Williams.

Os 15 dias entre Spa e Detroit tiveram uma novidade importante: A Lotus decidu contratar Gerard Ducarouge, que estava sem emprego desde que tinha sido despedido da Alfa Romeo, no inicio da temporada. Nas semanas seguintes, a sua influência iria ser notada, ao redesenhar o Lotus 92 e construir o chassis 93T (Turbo), o primeiro de uma série de carros que iria ressuscitar a Lotus para a sua última grande fase da sua carreira. Entretanto, a RAM não viaja para Detroit, porque o seu piloto, o chileno Eliseo Salazar, decide abandonar a equipa, e arranjar outro piloto iria demorar algum tempo.

Os treinos demonstram que os carros com motor Turbo dominam, mas os aspirados têm uma palavra a dizer. Os quatro primeiros são Turbo, a começar pelo Ferrari de René Arnoux, na pole, com o Brabham de Nelson Piquet a seu lado. Patrick Tambay,  no segundo Ferrari, e Elio de Angelis, no seu Lotus, ocupavam a segunda fila, e na terceira estava o suiço Marc Surer, num Arrows-Cosworth, o melhor dos aspirados, seguido do Tyrrell-Cosworth de Michele Alboreto. Eddie Cheever, no sétimo posto, é o melhor Renault, seguido do Alfa Romeo de Andrea de Cesaris, e a fechar os dez primeiros estavam o Toleman-Hart de Derek Warwick e o segundo Arrows de Thierry Boutsen.

No dia da corrida, sob céu limpo e 70 mil espectadores a assistir, a primeira largada foi abortada quando Andrea de Cesaris, no seu Alfa Romeo, agitou as mãos em sinal de desespero. Nova partida foi feita, e desta vez, quem ficou parado a ver os carros a passar foi o Ferrari de Patrick Tambay. Piquet e Arnoux partiram para a frente, com o piloto da Brabham a levar a melhor, seguidos pelo Lotus de De Angelis, do Tyrrell de Michele Alboreto e do Alfa Romeo de De Cesaris. Piquet e Arnoux imprimiram um ritmo forte, ao qual o Lotus de De Angelis não aguentou, desistindo à quarta volta. Contudo, o brasileiro não aguentou o ritmo do francês e deixou-o passar na nona volta, pensando mais numa estratégia para chegar ao fim em zona pontuável.

Entretento, Rosberg ultrapassara De Cesaris e Alboreto, e agora era terceiro classificado, e a aproximar-se de Piquet. Na volta 19, ultrapassa o piloto da Brabham, pois estava claramente mais leve do que a concorrencia, e dez voltas mais tarde, faz o seu primeiro reabastecimento. Volta em quarto, atrás de Piquet, Arnoux e Alboreto, mas o francês da Ferrari numero 28 debate-se com problemas eléctricos e na volta 31 encosta de vez.

Agora, Piquet estava na frente, com Rosberg e Alboreto mais atrás. Todos imaginavam que o brasileiro fizesse a sua paragem, mas acabou por não fazer. Michele Alboreto, no entanto, estava a aproximar-se rapidamente de Piquet e todos pensaram que iria haver um duelo nas voltas finais. Contudo, o brasileiro da Brabham teve um furo lento e teve que ir à boxe para trocar de pneus a dez voltas do fim.

No final, Alboreto conseguia a sua segunda vitória da sua carreira, na frente de Keke Rosberg e John Watson, no seu McLaren. O pódio era só ocupado por pilotos com motores aspirados, com Piquet a ser quarto e o melhor dos Turbo. Jacques Laffite, no segundo Williams, e Nigel Mansell, num Lotus-Ford, ficaram com os restantes lugares pontuáveis.

Com o primeiro lugar de Alboreto em Detroit, o motor Cosworth V8 tinha alcançado a marca das 155 vitórias em dezassete temporadas, desde 1967. E iria também ser a última de um motor aspirado até 1989, e do DFV construido por Mike Costin e Keith Duckwoth.

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