Formula 1 História

HISTÓRIA: O GP da Suécia de 1978

Duas semanas depois do GP de Espanha, máquinas e pilotos iam para um pequeno lugar no centro da Suécia, na região de Gislaved, para correr no Autódromo da Escandinávia, mas conhecido por Anderstorp. Por estas alturas, a popularidade da Formula 1 por esses lados estava em alta, pois Ronnie Peterson, o grande ídolo, estava na Lotus, e com o modelo 79 na pista, pensavam que tinha uma grande chance de vitória.

Aparentemente, ninguém os podia parar. Ninguém? Aparentemente, a concorrência não dormia e tentava encontrar carros que pudessem contrariar esse domínio Lotus. Um deles, Gordon Murray, procurava melhorar o Brabham BT 46, com motor Alfa-Romeo, que tinha sido mal nascido e partiu em busca de soluções para aproveitar o efeito-solo. E logo apareceu a mais radical de todas: uma ventoinha por baixo do motor, alegadamente para refrigerar o flat-12.

Quando o carro chegou, no fim de semana da corrida, todos ficaram espantados. Tanto que… a Tyrrell e a Williams, protestaram, alegando que serviria como mecanismo aerodinâmico flexível. Isso era proibido pelos regulamentos da FIA, mas Bernie Ecclestone, o patrão da Brabham, afirmou que a ventoinha servia de radiador, o que era verdade. Logo, com esse argumento, os comissários autorizaram a sua participação.

Logo nos treinos se notou a superioridade dos BT46B. A coisa era tão evidente, que Ecclestone ordenou à sua equipa que fizessem os treinos de tanque cheio, para que não se notasse tanto a diferença. Mesmo assim, John Watson e Niki Lauda foram segundo e terceiro na grelha, não muito longe do “poleman”, Mário Andretti. Ronnie Peterson era o quarto, enquanto na terceiro fila estavam o Arrows de Riccardo Patrese e o Wolf de Jody Scheckter. Gilles Villeneuve era o sétimo, na frente de Carlos Reutemann, e a fechar o “top ten” estava o Williams de Alan Jones e o Renault de Jean-Pierre Jabouille.

Na corrida, Lauda e Andretti lutaram pela liderança, enquanto que John Watson desistia por despiste, na volta 19. Na volta 46, Mário Andretti teve que abandonar com uma válvula quebrada, deixando Lauda na liderança. A superioridade dos carros era tal que, quando um concorrente atrasado largou óleo na pista, numa curva, o Brabham simplesmente passou por cima, pois a aderência que a ventoinha criava era o suficiente para que o carro ficasse agarrado nessa zona, enquanto que os outros tinham que abrandar, perdendo segundos preciosos.

No final da corrida, Niki Lauda ganhava com 34,6 segundos de avanço. A acompanhá-lo no pódio, estavam o Arrows do italiano Riccardo Patrese (o seu primeiro pódio da sua longa carreira), e o piloto da casa, Ronnie Peterson. Um magro consolo quer para a Lotus, quer para os fãs… nos restantes lugares pontuáveis ficaram o McLaren de Patrick Tambay, o Shadow de Clay Regazzoni e o Copersucar de Emerson Fittipaldi.

Após a corrida, os comissários voltaram a confirmar que o carro era legal, apesar dos protestos da Lotus e Tyrrell, que duvidavam legalidade do carro. Na audição, em Paris, Colin Chapman argumentou que “se tal sistema fosse usado no futuro, seria possível fazer todo um circuito como Silverstone a fundo, o que seria demasiado perigoso.” Apesar da “ameaça à segurança”, a FIA decretou que o Brabham BT46B poderia andar por mais três Grandes Prémios, mas Bernie Ecclestone, que queria ser o presidente da Associação de Construtores, a FOCA, decidiu retirar o carro de cena, para aplacar a ira dos outros construtores.

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