Formula 1 História

HISTÓRIA: O GP da Alemanha de 1968

Duas semanas depois de Jo Siffert ter alcançado uma vitória surpreendente no circuito de Brands Hatch, máquinas e pilotos rumavam à Alemanha, para disputar o GP local no temido Nurburgring Nordschleife.

Tal como no GP britânico, as condições do tempo naquele circuito durante o fim de semana foram horríveis: chuva e nevoeiro constantes. No final, Jacky Ickx fez a pole-position, mostrando que era bom à chuva com o seu Ferrari. Chris Amon estava atrás, noutro Ferrari, seguido pelo Brabham de Jochen Rindt. Graham Hill era quarto, no seu Lotus, seguido pelo Cooper-BRM de Vic Elford, o Matra de Jackie Stewart, o Honda de John Surtees, o BRM de Piers Courage, o Lotus (da Rob Walker Racing) de Jo Siffert e o Eagle de Dan Gurney.

No momento da largada, chovia copiosamente. Hill partiu bem e tomou a liderança, seguido por Amon, Rindt e Stewart. E no final da primeira volta, o escocês era o líder da corrida, mas ele já mostrava sinal de genialidade, Não só passara quatro carros à chuva, como também tinha aberto nove segundos de diferença.

Nas treze voltas seguintes, Stewart esteve imparável: os pneus Dunlop do seu Matra M80 estavam no seu melhor, e o escocês “voava”, enquanto que a concorrência “patinava”. Tudo isso num circuito que tinha zonas secas e molhadas, o que complicava ainda mais a tarefa dos pilotos.

No final, Stewart venceu com categoria, com Graham Hill a ser segundo e Jochen Rindt, no seu Brabham-Repco, em terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Ferrari de Jacky Ickx, o carro de Jack Brabham e o BRM de Pedro Rodriguez.

Anos depois, na sua autobiografia, Stewart descreveu aquela corrida:

“A chuva era incrível – não se via nada! Não via os meus pontos de referência para as travagens, nem o carro à minha frente (…) nem queria pensar o que acontecia atrás de mim. O circuito é estreito e mesmo com boa visibilidade é difícil ver onde estamos.(…)”

“Depois [de chegar à liderança] foi andar o mais depressa possível. Duas voltas depois tinha uma vantagem de 34 segundos e continuei a aumentá-la, sempre com o cuidado de não pisar qualquer poça. A três voltas do fim, a chuva aumentou. Havia rios cruzando a pista. Perto do Karrussel, o carro fugiu, o motor morreu, derrapei em direcção a um comissário, ao lado de uma árvore. Quando ele saltou para um lado, vi que o ia atropelar, mas aí os pneus aderiram e retomei o controlo do carro. Quando Graham Hill chegou a esse local, saiu de pista, mas o comissário tinha mudado de local…”

“(…)Foi uma vitória esfuziante para mim, mas fiquei ainda mais feliz por acabar a corrida. Esta foi talvez a maior ambição quanto a ganhar em circuito. Aquela corrida jamais deveria ter sido realizada e tê-la ganho com tal vantagem deu-me credibilidade sempre que pedia algo a favor da segurança”.

Até hoje, diz-se que esta é a melhor vitória de sempre do piloto escocês, e o próprio afirma que se sente dessa forma.

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