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16 Janeiro 2019
Formula 1 História

HISTORIA: O GP da África do Sul de 1993

No final de 1992, a Formula 1 estava a viver tempos agitados. Todos queriam estar na Williams, a equipa que tinha naquele ano tinha dominado aquele campeonato, e com o anuncio, após aquele GP de Itália, que Nigel Mansell iria sair da equipa para correr na CART, os melhores pilotos queriam ficar naquele lugar, ignorando que no inicio de 1992, Frank Williams tinha contratado Alain Prost. Mesmo com Ayrton Senna a afirmar que “correria de graça” pela marca, a decisão tinha sido tomada há tempos. Aliás, a razão pelo qual Mansell tinha ido para os Estados Unidos foi que ele não queria voltar a correr com Prost.

Para Ayrton Senna, a indecisão tinha sido a sua marca ao longo da pré-temporada. Considerou sériamente tomar outro ano sabático, como fizera Prost, e até tinha andado num Penske da IndyCar, a convite de Emerson Fittipaldi. Mas depois de muito pensar, Senna decidiu continuar na McLaren e na Formula 1, à razão de… um milhão de dólares por corrida. A McLaren acedeu, apesar de nesse ano, sem o motor Honda, se tinha resignado a ter um motor Cosworth cliente, já que as melhores evoluções iriam para a Benetton, que agora estava a concentrar as suas atenções sobre o jovem alemão Michael Schumacher.

Prost, Senna e Schumacher iriam ter novos companheiros de equipa. Na Williams, esta iria ter uma dupla totalmente nova e Frank Williams achou por bem dar uma chance de correr ao seu piloto de testes, o britânico Damon Hill. O filho de Graham Hill tinha tido a chance de experimentar um carro ao longo de parte da temporada de 1992 com a Brabham, e agora este ano iria estar ao lado de Alain Prost, dado que não seria ameaça para o piloto francês, apesar de ter… 32 anos.

Na McLaren, Senna iria ter como companheiro de equipa o americano Michael Andretti. Filho de Mário Andretti, o piloto de 30 anos tinha palmarés nos Estados Unidos, tendo sido campeão na CART, que então vivia o seu auge. Como piloto de reserva, Ron Dennis tinha ido buscar o jovem talentoso finlandês, Mika Hakkinen, pois não tinha a certeza se Senna iria continuar ou iria fazer uma temporada sabática. Com o brasileiro a decidir pela continuidade, Hakkinen fica nos bastidores.

Na Benetton, o companheiro de Michael Schumacher iria ser um veterano da Formula 1: o italiano Riccardo Patrese. A equipa iria acolher o piloto que já estava na competição pela 17ª temporada consecutiva e que já pertencia ao clube dos 200 GP’s. A equipa tinha prioridade sobre os motores Ford Cosworth e previa-se que iriam ter uma boa temporada.

Essas três equipas iriam ser as favoritas ao titulo de construtores, porque a Ferrari ainda estava a lamber as feridas de um 1992 desastroso. Jean Alesi iria continuar na equipa, mas para seu companheiro de equipa, a Scuderia pediu a Gerhard Berger para que regressasse a uma casa onde tinha sido feliz entre 1987 e 1989 e desenvolvesse o novo carro. Niki Lauda iria regressar também à marca, como conselheiro, enquanto não aparecesse um novo diretor desportivo que fosse capaz de catapultar a marca para os tempos de glória, que já estavam demasiado distantes.

Na Lotus, a equipa ainda necessitava de usar o modelo 103, modificado para as especificidades desta temporada, e tinha uma dupla constituida por Johnny Herbert e pelo veloz italiano Alessandro Zanardi. Iriam manter os motores Cosworth, mas esperavam ter melhores motores na temporada que ali vinha. Já a Arrows, que usava o nome do seu patrocinador, a Footwork, como titular, decidira apostar na continuidade, graças aos motores Mugen-Honda. Aguri Suzuki mantinha-se na equipa, que recebia o regressado Derek Warwick, que voltava depois de duas temporadas de ausência.

A Jordan era uma equipa que fora redesenhada de alto a baixo, depois de uma temporada desastrosa. Com Mauricio Gugelmin e Stefano Modena fora da Formula 1. Eddie Jordan decidiu arranjar uma dupla totalmente nova, constituida por um veterano, o italiano Ivan Capelli, que tentava recuperar a sua auto-estima após uma temporada desastrosa na Ferrari, e o estreante brasileiro Rubens Barrichello, que tinha vindo da Formula 3000, e aos 20 anos, era dos mais jovens pilotos de sempre num carro de Formula 1. A mesma coisa acontecia na Ligier, que tinha mantido os motores Renault, mas que tinha colocado uma nova dupla: dois britânicos, Martin Brundle e Mark Blundell.

Na temporada de 1993, uma nova equipa iria entrar no pelotão da Formula 1. Iria ser a Sauber, uma equipa suiça com experiência na Endurance, que com os motores preparados pela Ilmor – mas com apoio da Mercedes, sua parceira nos Sport-Protótipos – estava a testar há mais de um ano para ver se entraria na Formula 1 com o “pé direito”. Para as duas vagars foram dois pilotos jovens e velozes: o estreante austríaco Karl Wendlinger e o finlandês J. J. Letho, vindo da Dallara.

Na Minardi, houve uma mistura de contiuidade e mudança. O brasileiro Christian Fittipaldi manteve-se na equipa, enquanto que foi contratado para o lugar de Gianni Morbidelli outro seu compatriota, Fabrizio Barbazza. A Scuderia Itália decidiu abdicar dos chassis Dallara e pediu à Lola para que construisse dois chassis para eles, numa equipa que iria misturar juventude e experiência: uma dupla totalmente italiana, constituida por Michele Alboreto e por Luca Badoer.

Para finalizar, a Tyrrell decidira manter os pilotos de 1992: o italiano Andrea de Cesaris e o japonês Ukyo Katayama, mas trocou os motores Ilmor pelos Yamaha, enquanto que na Larrousse, Philippe Alliot alinhava ao lado de Eric Comas.

Chegou-se a pensar – e chegaram a estar inscritos – que a equipa March iria estar presente em Kyalami, mas no meio de fevereiro, a equipa entrou em falência e eles acabaram por não comparecer.

Feitas as devidas adaptações à altitude sul-africana num Kyalami absolutamente diferente do passado, as qualificações não foram surpreendentes: Alain Prost fez a pole-position, com Ayrton Senna a seu lado por meros… 88 centésimos de segundo. Michael Schumacher fora o terceiro, seguido pelo segundo Williams de Damon Hill. Jean Alesi era o quinto, no seu Ferrari, seguido pelo surpreendente Sauber de J.J. Letho. Riccardo Patrese conseguiu o sétimo posto, seguido pelo Ligier-Renault de Mark Blundell. A fechar o “top ten” ficou o segundo McLaren de Michael Andretti e o segundo Sauber de Karl Wendlinger.

A partida foi atribulada. Prost partiu mais lentamente do que foi o esperado e foi superado por Senna e Hill, enquanto que Michael Andretti ficou parado na grelha de partida, incapaz de se adaptar a uma partida parada, em vez das largadas em andamento como acontecia na CART. Pouco depois, Hill perde o controlo do seu carro e entra em despiste, caindo para o fundo do pelotão.

A partir daqui, três pilotos começam a se deslocar do resto do pelotão: o McLaren de Senna, o Benetton de Schumacher e o Williams de Prost. O francês tenta pressionar Schumacher, mas o alemão não cedia facilmente. Somente na 13ª volta é que o francês passou para o segundo lugar e começou a pressionar Senna para o comando. Atrás, Damon Hill recuperava posições, mas na 19ª volta, calculou mal uma travagem e acabou por bater no Lotus de Zanardi.

Por essa altura, Prost pressionava Senna, mas o brasileiro defendia o comando com unhas e dentes, mas na volta 25, o francês conseguiu passar o brasileiro e ficou no comando. Pouco depois, Schumacher ficou com o segundo lugar, mas ambos tiveram de parar para trocar de pneus. Senna saiu melhor do que Schumacher e conseguiu recuperar o segundo lugar.

Schumacher não largou Senna e procurou uma chance para o passar. Conseguiu-o na 40ª volta, mas Senna fechou o suficiente para que existisse um ligeiro toque na roda do Benetton, o suficiente para o desequilibrar e entrar em despiste. Caindo na caixa de brita, o alemão ficou-se por ali.

Na frente, Prost estava cada vez mais à vontade, com Senna no segundo lugar, e Patrese era terceiro. Contudo, na volta 46, o italiano entrou em despiste e também acabou por desistir. Por esta altura, a corrida sul-africana tinha sido uma hecatombe para o pelotão: por alturas da 50ª volta, apenas nove pilotos estavam ainda em pista.

Nas voltas finais, o tempo ameaçava piorar. Nuvens negras estavam no horizonte e a ideia de uma chuvada forte era real. E tal aconteceu em parte do circuito a pouco mais de duas voltas do fim, o que fez com que alguns dos carros saissem da pista, mas não o suficiente para fazer parar a corrida ou influenciar o resultado final. Alain Prost cruzou a meta no primeiro lugar, com Ayrton Senna no segundo e o Ligier de Mark Blundell a conseguir o terceiro lugar, o seu primeiro pódio da sua carreira. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Minardi de Christian Fittipaldi, o Sauber de J.J Letho e o Ferrari de Garhard Berger.

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