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16 Janeiro 2019
Formula 1 História

HISTÓRIA: Didier Pironi, trinta anos depois (1ª parte)

Estamos a 23 de agosto de 1987, ao largo da ilha de Wight, no sul da Grã-Bretanha. Decorre mais uma etapa do Mundial de Motonautica, justamente designada como a “Formula 1 dos mares”. O “Colibri” era um dos barcos a ter em conta na lista de inscritos, pois tinha vencido algumas semanas antes a etapa norueguesa da competição. Três homens integram a embarcação: o ex-piloto da Tyrrell, Ligier e Ferrari, Didier Pironi, de 35 anos, que é acompanhado por Bernard Giroux, antigo jornalista da TF1 e que no inicio do ano tinha vencido o Rally Dakar como navegador, ao lado de Ari Vatanen, e Jean-Claude Guenard, que tinha trabalhado com ele nos seus tempos da Ligier.

O “Colibri” não era um barco qualquer. Feito de fibra de carbono, era uma das primeiras embarcações feitas com esse material, usado na Formula 1 desde o inicio dessa década, pela McLaren, e já tinha demonstrado todo o seu potencial, devido à sua leveza e resistência. E era um dos favoritos à vitória, e os efeitos do seu triunfo em águas norueguesas fizeram com que se falasse dele como a de completar um circulo, do acidente à recuperação. Mas tragicamente, seria um sol de pouca dura.

O INICIO DA SUA CARREIRA

Nascido a 24 de março de 1952 – o mesmo dia em que, seis anos mais tarde, viria a nascer o italiano Elio de Angelis – Pironi tinha um meio-irmão, José Dolhem, oito anos mais novo, que era ao mesmo tempo seu primo, pois o pai casara com duas irmãs. Dolhem iria ter depois uma carreira automobilística que iria levar até à Formula 1 em 1974, correndo em três provas pela Surtees.

Pironi, de inicio, não está interessado em correr. Aliás, inscreve-se numa universidade em Paris para cursar engenharia automóvel. Contudo, inscreve-se num rali em 1972, e o bichinho da competição se instala. Logo nesse ano, inscreve-se no Volant Elf, em Paul Ricard, e acaba por vencer, com o troféu a ser entregue por Ken Tyrrell e Jackie Stewart. Ele vai correr na Formula Renault francesa, onde acaba por vencer em 1974. Dois anos depois, volta a vencer na sua congénere europeia, e em 1977 está na Formula 2, mas com incursões na Formula 3, onde vence o GP do Mónaco. Isso foi mais do que suficiente para que a Tyrrell o contrate para a temporada de 1978, na Formula 1.

Mas pelo meio, Pironi envolve-se na aventura da Alpine nas 24 Horas de Le Mans. Ao lado de Jean-Pierre Jassaud, ambos levam o carro até à vitória, alcançando assim o objetivo da Renault antes de se concentrarem na aventura da Formula 1. Na categoria máxima do automobilismo e ao lado de Patrick Depailler, ele conquista seis pontos, num ano essencialmente de aprendizagem.

Em 1979, com o 011, uma cópia do Lotus 79, as resultados são melhores e Pironi consegue dois terceiros lugares em Zolder e Watkins Glen, conseguindo onze pontos e a atenção da Ligier, que pretendia um piloto veloz para os seus serviços, depois de ter visto Patrick Depailler se lesionar a meio da temporada, num acidente de asa-delta. Pironi aceita e vai correr pela equipa francesa em 1980, ao lado de Jacques Laffite.

OS SEUS TEMPOS NA LIGIER

A temporada de Pironi na equipa francesa não começa bem. Abandona na Argentina e parecia que as coisas iriam correr mal no Brasil quando teve de ir às boxes no inicio da corrida, em Interlagos, quando tem problemas nas suas saias laterais. Contudo, faz uma corrida de recuperação e acaba no quarto posto, atraindo a atenção de Enzo Ferrari. Sobe ao lugar mais baixo do pódio em Kyalami, e em Zolder, numa corrida marcada pela chuva, faz uma corrida memorável e acaba por vencer, na frente dos Williams de Alan Jones e Carlos Reutemann.

O bom momento continua no Mónaco e aguenta as investidas dos Williams até onde pode. Contudo, na volta 53, ele distrai-se e bate na descida do Mirabeau, entregando o comando (e a vitória) a Reutemann. É segundo em Paul Ricard, atrás de Jones e faz a pole-position em Brands Hatch, palco do GP da Grã-Bretanha, antes de desistir devido a um furo.

Por esta altura, surgem os rumores de uma possivel transferência para a Ferrari. Ele nega-os, mas na verdade, já havia desde a primavera um acordo com a Scuderia para que ele corresse para eles a partir de 1981, algo do qual nem Guy Ligier sabia. E ele ficou furioso quando soube, mas nada podia fazer para o impedir.

No final do ano, Pironi faz 32 pontos e acaba na quinta posição do campeonato, com uma vitória, duas pole-positions, duas voltas mais rápidas e cinco pódios. É a sua melhor temporada na sua (ainda) curta carreira, mas fizera o suficiente para que acabasse em Maranello, a guiar os carros da equipa do Cavalino Rampante.

(continua amanhã) 

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