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19 Dezembro 2018
História

Era uma vez, Francois Cevért (parte 2)

(continuação do capitulo anterior)

A estreia de Cevért na Formula 1 aconteceu no GP da Holanda, onde se qualificou em 15º e a sua corrida acabou na volta 31 por causa de problemas de motor. O seu primeiro ponto aconteceu no GP de Itália, em setembro, num fim de semana marcado pelo acidente mortal de Jochen Rindt. No ano seguinte, a Tyrrell fabricava chassis próprios e tinha feito um carro só para ele, o 002, por ter um chassis mais alongado em alguns centímetros, para que ele pudesse caber, já que o 001 era para Stewart, mais baixo.

Naquela temporada, o escocês dominou, vencendo o seu segundo campeonato, com Cevért a alcançar o seu primeiro pódio com um segundo lugar no GP de França. Repetiu o mesmo na Alemanha, ambas as corridas vencidas por Stewart, e foi terceiro no GP de Itália, onde lutou pela vitória até ao último metro, perdendo por meio carro para o BRM de Peter Gethin e o March de Ronnie Peterson.

Mas o seu grande momento de glória foi na última corrida do ano, em Watkins Glen. Stewart teve problemas no seu carro e Cevért cedo ficou com o comando, resistindo aos ataques de Jacky Ickx e Dennis Hulme, acabando por vencer a corrida. Acabou a temporada com 26 pontos e o terceiro lugar no campeonato. Tinha-se tornado no primeiro francês a vencer um Grande Prémio de Formula 1 desde Maurice Trintignant, no GP do Mónaco de 1958.

Em 1972, a Tyrrell sofria com a validade do seu carro, enquanto a Lotus de Emerson Fittipaldi dominava o campeonato. Apenas na parte final, quando surgiu o chassis 006, é que Stewart venceu as duas últimas corridas do ano, mas por essa altura, o brasileiro já era campeão do mundo. Cevért conseguiu apenas dois segundos lugares como melhor resultado, acabando o ano com quinze pontos e o sexto lugar do campeonato. Em paralelo, participava em provas de Endurance, com a Matra, onde ao lado do neozelandês Hownden Ganley, foi segundo classificado nas 24 Horas de Le Mans, e vencera a prova de Donnybrook, na Can-Am, ao volante de um McLaren.

Em 1973, a Tyrrell estava em duelo com a Lotus e com a McLaren pelo domínio do campeonato. Fittipaldi começou bem, vencendo três das quatro primeiras corridas do ano, com Stewart a vencer na Bélgica e no Mónaco. Cevért tornou-se regular, andando sempre entre os da frente, subindo regularmente ao pódio, mas sempre atrás de Stewart. Foi com ele que conseguiu dobradinhas na Bélgica, Holanda e Alemanha, mas quando o seu chefe de fila estava fora de combate, não era capaz de vencer. E isso viu-se nas corridas da Argentina e da Espanha, batido por Fittipaldi.

Mesmo assim, Stewart via-o como sendo capaz de ser campeão, e aos 34 anos, com o terceiro título mundial, achava que era altura de pendurar o capacete e entregar a Tyrrell para as mãos do francês, que achava ser candidato ao campeonato em 1974.

Mas não teve tempo para isso.

A 6 de outubro de 1973, nos treinos do GP dos Estados Unidos, Cevért queria ser “poleman” e lutava com isso contra Ronnie Peterson, no seu Lotus. A grande discussão no fim de semana era a maneira como abordaria os Esses de subida após a meta. Stewart defendia que ele deveria abordar a zona em quarta, mais suave, mas melhor para aquele chassis, mais curto entre eixos que o Lotus. Cevért fazia em terceira, que fazia desequilibrar o carro, mas tinha potência na saída da curva. Confiava que poderia controlar o carro nessa situação.

Quando por volta do meio dia, ele tentou mais uma volta rápida, ele chegou à zona critica, meteu a velocidade escolhida… e perdeu o controlo. As consequências foram imediatas e fatais.

A sessão foi interrompida para remover os destroços e depois retomada. Ali, Stewart fez uma volta para tentar perceber o que se tinha passado e chegou à conclusão que foi a escolha de marchas naquela zona que foi a causa do acidente. A Tyrrell decidiu retirar os seus carros em sinal de luto, e Stewart, que deveria ter feito ali o seu centésimo Grande Prémio da sua carreira, acabou por não o fazer, acabando ali a sua carreira.

Cevért está enterrado no jazigo de família no cemitério de Vaudelnay, no Loire.

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