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18 Outubro 2018
História

Era uma vez, Francois Cevért (parte 1)

Há 45 anos, em Watkins Glen, o ambiente de festa na Tyrrell foi abruptamente cortado quando o carro numero 6 bateu forte nos guard-rails de proteção, durante os treinos de qualificação do GP dos Estados Unidos, a prova final do campeonato do mundo de 1973. Quando os socorristas chegaram, poucos momentos depois, não havia nada a fazer: a extensão dos estragos e o corpo mutilado do piloto indicavam tudo. Aos 29 anos de idade, o francês Francois Cevért era a mais recente vítima da Formula 1. A Tyrrell, em sinal de luto, decidiu retirar os seus carros da corrida e o seu companheiro de equipa, Jackie Stewart, decidira antecipar o final da carreira, que já tinha decidido se retirar no final dessa temporada.

Alto e bem-parecido, Cevért constituiu a grande esperança do automobilismo francês no inicio dos anos 70, a par de Jean-Pierre Beltoise, curiosamente… seu cunhado. Mas as coisas começaram bem antes, com um programa de caça-talentos e o olho atento de um campeão do mundo.

Nascido a 25 de fevereiro de 1944 em Paris, Albert Francois Cevért Goldenberg era filho de um joalheiro judeu, Albert Goldenberg, que emigrara da Rússia trinta anos antes. Os seus filhos tinham o nome de solteira da mãe Huguette, para evitar desconfianças por parte das autoridades de ocupação alemãs, pois estávamos em plena II Guerra Mundial. E para além disso, Albert Goldenberg era membro da Resistência.

A sua carreira começou aos 16 anos, em 1961, nas duas rodas, mas essa carreira foi interrompida quando teve de cumprir o serviço militar. Quando acabou a sua vez no exército, virou-se para as quatro rodas e em 1966, aos 22 anos, inscreveu-se no Volant Shell, depois de ter feito dois cursos de pilotagem em Le Mans e Magny Cours. O seu maior rival foi Patrick Depailler e acabou por vencer. O prémio era uma temporada na Formula 3 francesa, com um chassis Alpine, tudo pago. Depois de um ano de adaptação, em 1968, com um chassis Tecno, venceu o campeonato, batendo Jean-Pierre Jabouille.

Em 1969 passou para a Formula 2, ao serviço da Tecno. Uma corrida em Crystal Palace chamou a atenção de Jackie Stewart, que o recomendou a Ken Tyrrell. Acabou o ano no terceiro lugar do campeonato, e queria vencer em 1970, mas a meio do ano, a Tyrrell chamou-o para ir à Formula 1, e ele aceitou.

Na altura, a equipa tinha acabado de ser montada, com chassis March e motores Cosworth. Tinham o patrocínio da petrolifera Elf, logo, um francês como segundo piloto, Johnny Servoz-Gavin. Mas ele decidiu abandonar a Formula 1 depois do GP do Mónaco e precisavam de um substituto depressa. Cevért foi o escolhido, mas muitos pensavam que tinha sido recomendação da Elf. Ken Tyrrell disse anos depois que, na realidade, era recomendação de Stewart.

 

 

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