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18 Outubro 2018
História

HISTÓRIA: O GP dos Estados Unidos de 1978

Três semanas antes, a Formula 1 passara por um momento trágico, com a carambola da partida em Monza, que levou à morte de Ronnie Peterson e a ferimentos graves no italiano Vittorio Brambilla. A morte do piloto sueco fora particularmente sentida, pois era um dos mais talentosos e populares do pelotão da Formula 1, e o título de Mário Andretti, conquistado nesse dia, não tinha tido sabor nenhum no italo-americano.

Foi nesse ambiente depressivo que o pelotão da Formula 1 chegava a Watkins Glen, palco do GP dos Estados Unidos, a penúltima prova do campeonato. O pelotão da Formula 1 discutira durante os dias seguintes quem era o culpado do acidente, e arranjaram um bode expiatório: o jovem e algo tempestuoso piloto italiano Riccardo Patrese. A GPDA, a associação de pilotos, considerou-o culpado e decidiu excluí-lo da corrida americana. O italiano tentou reverter a decisão, tentando impedir a corrida em tribunal, mas não foi bem sucedido. A Arrows iria correr somente com um carro, com Rolf Stommelen ao volante.

A Lotus teve que arranjar um novo piloto para as duas últimas provas deste campeonato, e a solução foi encontrada na figura de Jean-Pierre Jarier, que tinha tido uma má temporada na ATS, saindo da equipa depois do GP do Mónaco, apesar de uma tentativa na Holanda, sem resultados.

Quanto à Surtees, teve que arranjar dois pilotos novos, para Brambilla e Rupert Keegan, que tinha tido um acidente algumas semanas antes, em Zandvoort. A solução foi arranjar o italiano Beppe Gabbiani e o francês René Arnoux, que tinha ficado sem carro depois do encerramento das operações da Martini na Formula 1. A Wolf aproveitou as corridas na América para inscrever um segundo carro, para um jovem americano que iria ter sucesso… no seu país: Bobby Rahal.

A Ensign inscrevia dois carros, para Derek Daly e para Brett Lunger, que tinha ficado sem lugar depois do encerramento das operações da BS Fabrications, e na Brabham, Bernie Ecclestone anunciava que o jovem brasileiro Nelson Piquet seria o companheiro de Niki Lauda para 1979, com efeito imediato. Só que a ideia de arranjar um terceiro carro para correr na pista americana foi por água abaixo, pois o chassis não ficou pronto a tempo.

Nos treinos, Mário Andretti dominou-os na sexta e no sábado, fazendo naturalmente a “pole-position”. Ao seu lado partia o argentino Carlos Reutemann, da Ferrari, enquanto que na segunda fila ficavam o Williams de Alan Jones, na melhor qualificação da equipa até então, e no quarto lugar da grelha ficava o segundo Ferrari de Gilles Villeneuve. Niki Lauda era quinto, e tinha a seu lado o inglês James Hunt. John Watson era sétimo, seguido por Jean-Pierre Jarier, e a fechar o “top ten” ficavam o Renault Turbo de Jean-Pierre Jabouille e o Ligier-Matra de Jacques Laffite.

Emerson Fittipaldi do 13º, René Arnoux partia da 21ª posição, um lugar atrás de Bobby Rahal.

No warm-up, Andretti sofreu um acidente, fazendo com que usasse o chassis de Jarier, enquanto que o francês usaria outro chassis, que tinha chegado ao circuito na manhã da corrida, e isso iria condicionar a prestação da equipa. Na partida, Andretti foi para a frente, com os Ferrari de Reutemann e Villeneuve, mais o Williams de Jones, logo atrás. Emerson Fittipaldi queimava a embraiagem na partida, mas conseguiu o milagre de colocar uma marcha, e andar uma volta para arrefecer o sistema. Quando conseguiu, começou a fazer uma corrida de trás para a frente, recuperando lugares.

Entretanto, Mário Andretti percebia que este Lotus não era tão bom como julgava, e cedo foi ultrapassado por Reutemann e Villeneuve, caindo para a terceira posição. Na volta 21, foi ainda ultrapassado por Alan Jones, no seu Williams, mas recuperou a terceira posição duas voltas depois, quando o motor de Villeneuve explodiu. Mas na volta 27, foi a vez do motor Cosworth do americano explodir, deixando desiludidos os mais de 165 mil pessoas que tinham acorrido a Watkins Glen, para assistir à consagração do italo-americano. Na volta seguinte, foi a vez do motor Alfa Romeo do carro de Niki Lauda que “entregava a alma ao Criador”, fazendo com que o terceiro classificado fosse agora… o Renault Turbo de Jean-Pierre Jabouille.

Só que o francês estava a ser acossado pelo Wolf de Scheckter e pelo Lotus de Jarier. Durante algum tempo, o francês aguentou os ataques, mas pouco tempo depois, os travões do Renault começaram a ceder, e foi ultrapassado, primeiro por Scheckter, e depois pelo endiabrado Jarier, que na volta onze, tinha parado na boxe com um pneu furado, e tinha feito uma corrida de recuperação. Pouco depois, subia para terceiro, passando o sul-africano da Wolf, mas a três voltas do fim, todo o seu esforço caia por terra, pois ficava sem gasolina! Mas em compensação, tinha feito a volta mais rápida…

No final da corrida, Reutemann ganha a sua quarta vitória do ano, na sua Ferrari, com Jones no segundo lugar, dando à Williams o primeiro pódio do ano. Jody Scheckter ficara com o lugar mais baixo do pódio, com o seu Wolf, seguido por Jabouille, que dava à Renault os primeiros pontos de um motor Turbo na história da Formula 1, e a fechar os pontos, um magnifico Emerson Fittipaldi, no seu Copersucar e o McLaren-Cosworth de Patrick Tambay. Agora, máquinas e pilotos deslocavam-se para o Canadá, para a etapa final, num circuito novo, construído em frente à cidade de Montreal.

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